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Quarta-feira, 26.01.2011 O sumiço das pontes

Algo de muito sério e misterioso estava acontecendo na Terra, essa nossa casa deveras negligenciada (por eu, tu, nós e “eles”, as “otoridades”, como diz o demolidor de mesa Vânio Bossle). Em várias partes do mundo registrou-se, ao mesmo tempo, mas não ao vivo e via satélite (por algum problema), o desaparecimento de grandes obras e objetos do patrimônio público. Em Washington foi a Casa Branca (com o presidente e alguns asseclas dentro); em Buenos Aires a estátua de Carlos Gardel e, para desespero ainda maior dos hermanos, a camisa de Maradona na Copa de 86; em Londres foi o Big-Bem; em Paris, claro, aquela torre metida a besta; no Paraguai... no Paraguai?!...; no Oriente Médio algumas pirâmides e duas odaliscas; na China a antiga muralha que pode ser vista até de Marte, mas que eu nunca vi; no Rio o Cristo.. O Cristo?

Flori(p)anópolis, no sul mágico do Brasil, amanheceu... - Que é isso? – sem as três pontes. As três, sim, inclusive a “Velha Senhora”, que virou cartão postal, adoeceu e espera há muitos e muitos anos pelos medicamentos eficazes, muitos deles vindos do exterior. A população, logo que soube da novidade, ficou dividida entre o pasmo e a crendice. Os mais afoitos logo trataram de fazer alguns comentários sobre o inusitado “fenômeno”.

CIDADÃO AVULSO 1 – Sinais dos tempos, em que não haverá mais estradas sobre as águas e o mundo se dividirá em duas partes antes da explosão final.

RATO (que na verdade é um sonoplasta) – Eu não disse, Jaime?! Eu não disse?! Mas vocês riram, você e o Guido...

DONA MARIA DA CAIEIRA DO SACO – Ólho-lhó-lhó! E num é que o mári inguliu as pônti gêmea e também a enferrujada, aquela de bunito?! Agora é que as vaca vão pro brejo.

RONÉRIO SILVA – Sempre fui a favor do transporte marítimo de passageiros, talvez agora me entendam...

GERMANO – Resta sabê se os ônibus tão preparado pra andá sobre o mar sem afundá.

CIDADÃO AVULSO 2 – Precisamos de pontes que liguem o homem ao Criador do homem.

RATO – Eu falei...

ZEZINHO DO MORRO ALTO – Eu vi, tava indo pescá na passarela da ponte que vem, era bem cedinho, inda escuro. De repente, uma luz no Céu, grande, que puxou todas elas. Parecia um filme que eu quase vi lá em casa.

Era um sábado, e um rebuliço bem maior que o apagão ou a Novembrada. Um caos. Claro que alguns nem ligaram, afinal, não teriam que se deslocar pro trabalho, tanto de lá pra cá, quanto daqui pra lá. Mas outros precisavam atravessar aquele pedacinho de mar perdido na terra, como a turma do Continente, que queria ver o campeonato de surf na Joaquina; ou os jogadores do Avaí (e seus torcedores mordidos) dispostos a ganhar a revanche. Ora, acontece que tudo foi cancelado, até o jogo do bicho na Banca do Mané. Claro que os donos de barcos não perderam tempo. A preços exorbitantes começaram a transportar os habitantes mais apavorados. Neném, que não era o da Costeira, foi fazer o mesmo, com seu barquinho acanhado.

- Num pódi é batê um vento súli!

E assim prosseguiu o drama dos ilhéus e continentais, até o sono derrubar os que ainda conseguiam dormir. No meio da madrugada, quando a balbúrdia havia serenado, eis que a três pontes retornaram à Terra, ou seja, ao mar. Misteriosamente. Florip(a)nópolis amanheceu em festa, era domingo de sol. Mas o que apenas alguns perceberam, de imediato, provocou, depois, um espanto geral: a Hercílio Luz, a Velha Senhora com dores lombares, ficou exatamente entre as duas pontes de concreto.

E assim quase tudo voltou ao seu lugar. Em Nova Iorque, por exemplo, a Casa Branca estava lá de novo, mas o presidente, o presidente não havia retornado.





Postado por Jaime Ambrósio às 18:53 | Marcadores: Jaime Ambrósio  

Sexta-feira, 21.01.2011 Pérolas nas Areias das Praias

O PRIMO DE LÁ E O PRIMO DE CÁ
- Que baita rio, primo!
- Não é rio, primo, é mar.
- Não faz mar, é baita do mesmo jeito.
- Se tu dix... Agora vamos beber uma boa gelada.
- Primeiro uma marvada quente, primo, purinha. Eta nóis!

UM CARA OTIMISTA
Decidiu contrariar a previsão do tempo, que anunciava céu encoberto, e foi à praia assim mesmo, sem sol, fugindo da mesmice e do ócio. Arrumou a cadeira, sentou de frente pro mar e o infinito, abriu uma latinha e concluiu que aquilo sim é que era vida boa. Mar, gaivotas, barcos, ilhas... Mas cadê as mulheres? Não fosse por isso: tirou a última Playboy de dentro da mochila e começou a ler as fotos, admirando cada palavra...

A CARA DO OUTRO, O PESSIMISTA
- Se você quiser, Gisele, a gente vai pra praia, mas tá nublado, pode chover.
- Nem tanto, vai abrir. E o importante é sair de casa, pra não mofar.
Foram. E choveu justamente quando estavam instalados na areia. Carlinhos com cara de “viu-eu-não-falei?” começou a arrumar as coisas (pra voltar), vitorioso. Mas choveu rapidinho, logo parou. E saiu o maior sol. Carlinhos com cara de...
- O sol tá muito forte, Gisele!
- Vem aqui que eu passo o fator 30 – ela, vitoriosa.
- Pode dar uma insolação, câncer de pele. Não viu aquela reportagem na TVBV?
- Vi, mas não se preocupe, eu trouxe também o fator 50. Vai mergulhar, vai.
- Com essa água fria?
- Fria? Tem caipirinha ali na barraca do milho, pra esquentar.
- Depois de ontem à noite? Maluca!
Até que chegou a hora de Gisele explodir, sem TPM mesmo, porque paciência tem limite.
- Vai, Carinhos, vai comer a macarronada da tua mãe! Mas eu vou ficar, faça sol ou faça nuvem. E vai de ônibus, “filhinho”, porque o carro é meu!

VAI UM PROTETOR AÍ?
O garoto, cheio de ginga, tatuagem e conversa, achava que havia descoberto a fórmula infalível de “ganhar” as meninas do sol e mar. Simples: é só se aproximar e pedir para que uma delas faça a “gentileza” de passar a loção nas costas, do cara, claro. A partir daí rola um papo legal, uma amizade instantânea, troca de telefones, etc.
O tal garoto, munido de muita confiança, dirigiu-se às três beldades incrustadas na areia fofa. Estendeu o tubo de creme e engatilhou a artilharia verbal. Houve um silêncio geral como resposta, enquanto surgiam três surfistas “bombados” que estavam na barraca ao lado comprando água e cerveja. A “gentileza” foi toda deles.
- Deixa que eu passo, brother.
- Eu ajudo.
- Também tô nessa.
No nariz e na boca é suportável. O problema é nos olhos, dá um belo dum ardume, uma irritação danada, uma coceira dos diabos...

A QUESTÃO DO ACENTO
A professora de português, que já é conhecida de alguns leitores daqui, vai comprar água de coco. Então percebe, de novo, que na propaganda da barraca CÔCO está assim, com o maldito acento circunflexo.
- Um COCO, moço, mas, por favor, sem o “chapeuzinho”, que é errado.
O vendedor, um pouco contrafeito, tira o boné da cabeça, dizendo que o freguês é quem manda.





Postado por Jaime Ambrósio às 09:38 | Marcadores: Jaime Ambrosio  

Quinta-feira, 20.01.2011 O Problema do Côco

Podiam falar mal dela, mas que falassem bem, ou seja, de acordo com a concordância gramatical. Não admitia os erros “básicos”, nem o excesso de gírias. Tá ligado?

Podiam cobrar caro pelos produtos que ela consumia, mas pelo menos que anunciassem os preços corretamente. Xuxu? Só faltava um anúncio do DVD da Chucha... Embora, refletiu ela, alguns etimologistas aceitem as duas grafias do legume. Mas o que mais deixava a professora Analice à beira de um ataque de nervos gramatical era o controvertido COCO, cuja água é light, mas cuja polpa tem excesso de caloria. Vai entender a natureza! Gente, pelo amor de Deus! A palavra é paroxítona terminada em O, portanto, não leva acento. Se nem isso sabem escrever certo, então o melhor é irem catar coquinho.

Era viúva e viu a uva. Gostou. Mas estava sozinha e numa espécie de TPM prolongada (Lembram da Melina?). Portanto, que não a provocassem com falhas gramaticais estúpidas. A irmã, Analúcia, preocupada com aquele diagnóstico, trouxe-a para passar o Natal e o Revéillon na casa de praia, em Floripa. No caminho da rodoviária até o balneário Analice descobriu um cartaz promovendo o espeto corrido da CHURRASCARIA do ZÉZINHO, com acento onde não devia. Senta, e espera!

Analice na praia. Guarda-sol, cadeira, óculos escuros e fator 30. Quando viu uma barraca já começou a sentir um arrepio. “Já sei que vou me incomodar hoje.” Tentou se manter calma. Mas sentiu sede e a bebida mais recomenda era água... de coco. Foi comprar, resoluta. Não deu outra, já na primeira barraca: CÔCO GELADO. Jesus Cristo! Na segunda, idem...; idem na terceira. E ela indo.

Finalmente!... Nem tudo está perdido na pátria do improviso! Detestava frases rimadas. Mas, tudo bem.

- Por favor, uma água de coco!

- Pois não, madama!

- É hoje! Quanto?

- Três real.

- Primeiro: o correto é: três reais. Segundo, não existe “chapeuzinho” aqui no primeiro Ó do coco.

- Então é aqui no segundo? – apontou o pobre vendedor.

A professora, que tinha a obrigação ética de explicar a correta ortografia, perdeu as estribeiras.

- Exatamente!

E saiu, bufando. Iria tomar uma coca-cola ( normal) que a Analúcia trouxera na bolsa térmica.

- Que ódio!

Pra complicar, ou não, ainda ouviu o vendedor de picolé comentar com um colega: Eta coroa boazuda! O dia, enfim, não estava de todo perdido. Analice até esboçou um sorriso.

Eu, heim! É ruim.





Postado por Jaime Ambrósio às 12:02 | Marcadores: Problema   Côco   Jaime Ambrosio  

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