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Sábado, 28.05.2011 Papo doideira (autorizado pelo MEC)


O forasteiro (embora não seja esta uma crônica de bang-bang) bate à porta numa antiga casa de madeira, mas ninguém atende. Então vai conversar com o homem que está sentado na espreguiçadeira, no outro lado da rua. Péssima ideia. Walfredo, o nativo, era daqueles que complicavam qualquer diálogo, se não por ingenuidade, então por sarcasmo ou falta de parafusos na cachola. Talvez uma mistura de tudo.
- Boa tarde!
- Tarde! Mas vai chovê.
- O senhor Armando, ele não está?
- Se foi.
- Viajou?
- Se foi pro sumitério.
- Cemitério, o senhor quis dizer?
- Não, sumitério mesmo, lá onde ocê vai sumí.
- Ah, sei. E o senhor Armando foi rezar pra alguém da família dele?
- Sim, pra ele mesmo. O home já esticô as canela, tá mortinho de souza.
- Da Silva.
- Não, o nome dele é Armando de Souza. Silva sô eu, mas com muita preguiça de morrê.
- Ele tinha alguém, algum parente vivendo com ele?
- Sim, o Bilico.
- Um filho dele?
- Um cachorro de segundo grau, que se foi desta pra outra.
- Morreu também?
- Que nada! Se mandô pra longe o guaipeca.
- Interessante...
- Mas diga lá, home, qual é a intenção da visita?
- Uma dívida antiga... dinheiro.
- Pode dexá aqui comigo, sô praticamente da família.
- Não, não! O senhor Armando é quem me deve.
- Ié? ... Bem, na verdade eu mal conhecia ele. A gente poco se falava.
- Acho que vou ser obrigado a ficar com a casa e o terreno dele.
- Nem pense nisso! O Armando num vai gostá de jeito nenhum.
- Mas ele não morreu?
- De fato, mas a assombração dele tá sempre por aí...
- ???
- ... cuidando da casa, dando comida pro Francisco. Coisa dotro mundo!
- Ah, então tinha mais alguém com ele?
- O papagaio, mas é um papagaio lerdo, que só arrepete a mesma palavra quando chega alguém aqui pra cobrá dívida.
- E qual é essa palavra,companheiro?
- Morra! Morra!
- Pensando bem, o dinheiro não é lá grande coisa. Deus há de me recompensar. Tenha uma boa tarde.
- Tarde. Mas vai chovê.
Antes da chuva, a cachaça. Walfredo assobia pro compadre Armando, que logo parece, vindo lá do fundo do quintal. E os dois vão pro buteco, rindo à toa como se fossem deputados federais...





Postado por Jaime Ambrósio às 20:37 | Marcadores: Guaipeca   Forasteiro  

Sexta-feira, 20.05.2011 AS PERIPÉCIAS DA MÃO DESGOVERNADA

Agostinho descobriu, depois de alguns micos, que sua mão direita tinha vida própria. A certeza veio na festa de dez anos da empresa. De repente aquela “extremidade, articulada com o antebraço pelo punho e terminada pelos dedos” (Dicionário Houaiss), começou a “conduzi-lo” para certas direções em meio a um formigueiro de gente quase-bêbada. Todo mundo de pé, curtindo o pagode da rapaziada, ao vivo; todos se divertindo de um jeito ou de outro. Ele lá no meio, ultrapassando um aqui, atropelando outro mais à frente, esbarrando em meio mundo. Até que, finalmente, chegou onde “Ela” queria. Mas Perai!...
A tal extremidade articulada havia parado simplesmente no grupinho da diretoria. Então Ela sossegou por alguns segundos, restabeleceu-se e indicou o alvo, um belo e agitado par de glúteos. Mas não era um bumbum qualquer; era o indiscutível bumbum da mulher do chefe. Agostinho não teve outra saída a não ser segurar, com a mão esquerda, o ímpeto d’Ela, a mão direita. Mas quem disse?! Era uma força descomunal, irrefreável, algo suicida, próprio de quem não tinha nada a perder. E não foi apenas uma passada de mão, foi uma mãozada de troglodita, uma insistente checagem in loco pra não deixar nenhuma dúvida.
- Agenor???!!!
O espanto dela foi porque o marido nunca havia feito algo assim, com tamanho furor, nem em casa, muito menos em público. Só então percebeu que o Agenor estava um pouco afastado, livre e solto. E a tal mão continuava grudada. A cena que alguns viram (inclusive o Agenor) foi esta: Agostinho, o rapaz da Informática, com a mão direita inspecionando o traseiro de Clarisse ( mulher do temido diretor de vendas), e com a esquerda segurando o pulso direito, tentando fazer parar aquilo. Com muito esforço o pobre rapaz encrencado conseguiu dominá-La.
- Não fui eu, juro! (e com o indicador da mão esquerda apontava para Ela, que, cinicamente, fazia gestos de que não tinha nada a ver com aquilo).
Agenor, na obrigação de fazer alguma coisa, tentou agarrar o funcionário tarado pelo colarinho, mas a insurgente mão de Agostinho o impediu com um empurrão que derrubou outras três pessoas. Os seguranças vieram, sem muita conversa, e arrastaram a mão quase-assassina para fora, trazendo junto o seu dono.
Sorte Agostinho não ter ido parar na delegacia. Mas pegou, claro, uma justa causa sem acordo para retirar o FGTS. E agora, Agostinho? Não iria querer ser jogador de basquete (um novo Mão Santa?), nem assaltante de banco à mão armada (por causa da concorrência excessiva), muito menos político que passa a mão no dinheiro público. Era um cara do bem, embora fosse escravo da mão direita.
Em casa deixou-A amarrada na cabeceira da cama durante uma noite inteira, só a liberando na hora do aperto para irem ao banheiro. Como resposta Ela se negava a cooperar, deixando o encargo para a sua colega da esquerda.
Depois de fazer acupuntura (recomendação de uma amiga) e umas sessões de análise com uma psicóloga de corpo, parece que Ela voltou ao normal. De qualquer maneira Agostinho passou a andar com um par de algemas, deixando uma argola presa no cinto, outra aberta, para prender a mão boba, caso Ela “pensasse” em alguma atitude inconveniente





Postado por Jaime Ambrósio às 15:26 | Marcadores: Fgts   Mão Santa     

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