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Quinta-feira, 27.10.2011 Manezinhos, turistas e ó-lho-lhó

Rapaz de sorte o tal do Vaguinho, ali do Ribeirão da Ilha. O pescador virou motivo de disputa entre algumas nativas, que aprontaram um verdadeiro espetáculo, a céu aberto, pra turista ver. De grátis, como diz quem diz o que diz. Um lá da Bahia assistiu a tudo, sem deixar de emitir algumas expressões populares lá deles.
- Sua lambisgóia entojada, pode tirá o cavalinho da chuva! O Vaguinho é meu e num tem pra ninguém mais. Ouvisse?
(O turista: Bahêa!!!)
- Ó-lhó-lhó! Tás tola, amiga? E antes que máli li pergunte, quem foi que deu o primeiro beijo no Vaguinho, lá na festa do marisco?
- Désse outra coisa, isso sim, pissirica!
(O turista: Cuméquié?)
- Bisca!
- Disgramada!
- Miserenta!
- O Vaguinho nunca vai me trocá por uma ranhenta que nem tu.
(O turista: Vixe Maria!!)
- Sai pra lá, somgamonga despeitada!
- Eu te acarqueto os óio!
(O turista: Óxente!)
- Vai te cagá, tranqueira!
- Vou te dizer-te uma coisinha pra ti!
- Não me intisica que eu te quebro os cornos!
(O turista: Ei, ó o avê aí, ô)

Antes de as duas se engalfinharem por amor, alguém chega como quem é rei na Ilha, o próprio Vaguinho.

- Guinho?!
- Amôri?!
- As duas parem já com essa palhaçada!
- Então decida entre eu e essazinha aí!
- Nenhuma. Agora eu tô com a Lurdinha.
(O turista: Porreta!)
- A Lurdinha da padaria? Aquela broa de pão dormido?
- Ela mesmo!... Broa de pão dormido, não!
- Ô essa menina! Vem comigo, vamo comprá sonho recheado com doce de leite, ali na fulana.

As duas em direção à padaria, Vaguinho atrás. Rapaz de sorte esse Vaguinho...

(O turista: Ô aqui!!!)





Postado por Jaime Ambrósio às 16:03 | Marcadores: Oxente   Broa   Ribeirão Da Ilha  

Segunda-feira, 17.10.2011 Aquálico anônimo

Só uma pessoa bebia mais do que ele no bairro: ele próprio. Numa feita, no tradicional Bar do Valdir, houve um concurso de tomadores de cachaça, com patrocínio de uma famosa marca e tal. E não era pouca grana: 1.000 reais para o primeiro colocado e 500 para o segundo. Ganharia quem tomasse o maior número de copinhos lisos (aqueles) num determinado tempo. Pois o Luizinho Canabrava, contumaz apreciador do líquido que curió não bebe, faturou os dois prêmios. Como não havia um um regulamento escrito e sacramentado ele se inscreveu duas vezes, mas com nomes diferentes. Não deu outra: Luizinho em primeir lugar e Canabrava em segundo. Ou seja, em dois minutos (tempo cronometrado pelo "juiz") ele tomou muuuuuitas, depois deixou os outros tentarem a sorte, então voltou (havia ido ao banheiro) e repetiu tudo de novo como se fosse um outro competidor. O resultado é que ele, duplamente sozinho, ingestou pra dentro de si mais que o dobro do terceiro colocado.
Um dia (que era noite), ao voltar para casa depois de ingerir todas, Luizinho foi abordado por um estranho que lhe ofereceu uma bebida ainda mais estranha: água mineral. Para não contrariar aquele homem, àquela hora da noite, ele aceitou a oferta. O líquido desceu quadrado, rasgando a garganta, convulsionando o estômago.
- Como é que você consegue engolir isso? - perguntou Luizinho, fazendo cara de nojo.
- Beba mais, "isso" pode ser muito bom pra você, vai lhe salvar.
Dia seguinte, no supermercado, Luizinho deparou-se com a prateleira dessas águas, espaço que ele nem sabia que existia. Sorrateiramente apanhou duas garrafas. Mas na fila do caixa um conhecido do bar acabou descobrindo aquele ato inexplicável.
- Água mineral, Luizinho?
- É... é pra minha mãe.
Em casa tentou não sucumbir à tentação, mas era impossível: bebeu um litro em poucos segundos. Depois devorou o outro, em goles sôfregos, quase sem pausas pra respiração. Por fim, num gesto desesperado, atacou a torneira. Luizinho Canabrava estava viciado em água. Certa vez o viram debaixo da chuva com a boca aberta, tentando beber as nuvens dissolvidas.
- Coitado, ainda jovem!
No bar não queria mais saber de cachaça, nem daquela misturada com butiá. Apenas água mineral, de preferência sem as bolinhas de gás.
- Para com isso, homem! Pensa na família que você tem aqui no bar.
No começo acharam que era pra curar a ressaca do dia anterior; depois perceberam que a coisa era séria, e foram deixando o Luizinho de lado, principalmente eles, os amigos de porre. Sentiu-se, então, um pouco deslocado. Passou a ficar naquele bar apenas o tempo suficiente para beber duas ou três garrafinhas. Mas no trajeto de casa passava por outros butecos para "enxugar", solitariamente, mais algumas, com bolinhas ou sem bolinhas. Luizinho tornou-se, assim, um aquálico anônimo.
- Conta ele, para quem quiser ouvir, que tudo começou quando aquele estranho lhe ofereceu água no meio da noite. Ali, num espasmo de lucidez, resolvera salvar o fígado. Mas há quem diga que o tal sujeito era simplesmente o bêbado Manoel Tonel, que morreu de cirrose fazia algum tempo, e que agora ficava vagando por aí como alma penada, tentando salvar os manguaças inveterados...

- Mas nem um pouco não é muito, Valdir?

- Posagora!





Postado por Jaime Ambrósio às 21:29 | Marcadores: Canabrava   Manguaça  

Terça-feira, 11.10.2011 @taisfrito.com


Os vírus na Rede. É preciso ter muito cuidado com essa praga moderna que invade todas as lavouras. Os terroristas da Internet não tem nada a perder (aparentemente). Enviam a esmo, ou calculadamente, mensagens de todos os tipos, de todos os tons e estragos. Uma das útlimas avisa que você (no caso, qualquer um) está sendo traído; que a sua mulher foi vista com outro; que eles têm fotos para comprovar a suspeita, é só clicar ali e fazer o download. Mas você não é burro nem anta de clicar, né?
Mas alguns clicam e percebem que não há foto nenhuma, mas a dúvida cruel continua, enquanto o computador fica mais lento, sem memória, apenas com uma vaga lembrança. Outros reagem antes de tentar qualquer movimento no mouse, por puro impulso de macho ferido. Vejamos, então, algumas reações precipitadas (e curiosas) provocadas pela referida mensagem.
- Quem é ele, Emi?
- Ele quem?
- O outro. Os caras têm foto.
- Que fotos? Que outro?
- O outro que sai contigo, só isso.
Então lembrou, o jumento esquecido, que Emilia, com quem ficava, era casada, portanto, a vítima em questão seria o marido dela, a não ser que o hipotético outro fosse um outro outro...
@@@@
O sujeito, cujo nome vem depois, chegou do trabalho e ligou apressado para o celular dela. Os dois travaram um diálogo muito parecido com o anterior. Por fim a dona no outro lado da linha acrescentou:
- Agenor Ambrósio, esqueceu que nós estamos divorciados há mais de um ano? Que o fato de eu ter outro, agora, não tem nada a ver contigo? Ainda não resolveu esse problema de fuso horário?
@@@@
Pior foi o caso do viúvo Leopoldo, que depois da "partida" da mulher nunca mais tivera outra. Assim que leu o tal e-mail quase entrou em parafuso.
- Mas ela tá mortinha da Silva desde que morreu! Como é possível? Que fotos são essas? Será que até na outra vida acontece isso? Como é que ELES ficaram sabendo? A finada me traindo?...
@@@@

O cara seguinte chegou em casa p da vida e foi direto ao computador, ver umas coisas. Viu.
- Janice, vem cá!
- Que foi?
- Pode me explicar o que é isso, que mensagem é essa que que eu recebi?
- Após alguns segundos de criteriosa observação, a mulher, um tanto nervosa, se recompôs, buscando empatar o jogo:
- Foi bom você tocar nesse assunto. Me dá um minuto!... Veja isso! Também recebi uma igual. Olha!...
@@@@
Não se pode acreditar em tudo o que sai na Internet. Fica parecendo aquele episódio do Tavinho do Anzol que, finalmente, conseguiu comprar um computador. Um dia leu um aviso apocalíptico, dizendo que o juízo final estava chegando, que era preciso se arrepender dos erros, dos pecados e livrar-se das coisas materiais. Então o pobre homem quebrou o computador e foi se sentar numa grande pedra do costão, e assim ficou esperando...
@@@@
Com relação ao hacker, ou seja lá quem foi que difundiu essa história na internet, ele deve ser o próprio boi chifrudo, um zumbi viciado em computador, que deixa a namorada solta por aí. Seu Rogério, técnico em informática já completmente aposentado, foi quem deduziu isso, ao se deparar com o tal e-mail... E colocou esse desabafo na Rede.





Postado por Jaime Ambrósio às 14:57 | Marcadores: Download   Chifrudo  

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