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Sábado, 17.12.2011 Crônica de um Papai Noel banguela

José, que não era carpinteiro, mas sabia consertar coisas, estava desempregado e gordo. Nos útlimos dias as refeições eram feitas, invariavelmente, de macarrão barato, algum molho, pão e limonada. Além dele tinha a esposa, que se chamava Maria, dois filhos em crescimento e um outro em gestação, querendo rebentar num dia desses.
José fazia uns bicos para garantir o mínimo que não podia faltar, mas faltava muito, e o natal estava chegando. José sempre dera presentes para os filhos e para Maria. José, e agora? Nem poderia fazer como o seu pai, que lá pelo mês de outubro recolhia os carrinhos de madeira que dera aos filhos e os pintava de outra cor. Depois, no natal, entregava-os novamente. As crianças imaginavam que estavam recebendo brinquedo novos. Agora tudo era de plástico, não dava pra pintar, e José nem faria uma coisa assim.
Então, o então sempre permeia a vida. José soube de um concurso de Papai Noel. Inscreveu-se cheio de esperança, afinal tinha barriga grande e sabia ser divertido. Mas quando sorriu foi desclassificado: era sem dois dentes na frente, justo na frente. Claro, o shopping não iria contratar um Papai Noel banguela.
José sentado numa pedra à beira do caminho. José chorando seu drama, seu infortúnio. Então lembra das plavras sábias de Maria: depois da provação vem a recompensa, é precso ter um pouco de calma. Até quando, Maria? José que não bene nem fuma, que não é violento e nunca pensou em roubar; nem matar. Agora ali, pensando que pode fazer qualquer coisa, boa ou ruim. Então (o que norteia a vida) uma caminhonete para. O homem na direção está vestido de Papai Noel e pergunta se José não quer ser seu ajudante, ganhar uns trocados. O homem se apresenta, diz que é rico, que vai distribuir presentes lá no Morro, mas que não quer ser reconhecido, por isso precisava de um estranho. José aceita, entra no carro. Ainda tem tempo de olhar para o lugar onde estivera sentado. Vê outra pessoa lá, que sorri, na pedra. José pensa que talvez seja um anjo de Deus. Aquele homem à beira da estrada acena.
Como se fosse um mercador de sonhos José entregava um presente e recebia um sorriso largo, quase uma gargalhada de criança. Mesmo assim seu pensamento era distante. Quando faltava apenas um saco para ser distribuido o homem da caminhonete diz que a jornada chegara ao fim, que aqueles últimos presentes eram para os filhos de José. E deu-lhe também a roupa de Pai Noel e um cartão. Era só procurá-lo que ele lhe arranjaria algum emprego. Precisavam de montadores na fábrica de móveis, poderia ser um bom começo. Era véspera de natal. O homem gordo de vermelho e longas barbas postiças bate à porta da casa de José, que não se encontra. Maria, muito gorda também, o recebe. Ele entrega presentes para cada um, muitos presentes, e sorri com a boca banguela, desprovida de dois dentes dianteiros.
- Papai?
- José?
No dia seguinte nasce Jesus, o terceiro filho de José e Maria.





Postado por Jaime Ambrósio às 20:52 | Marcadores: Banguela   Limonada  

Terça-feira, 13.12.2011 Casa, descasa e Cia

O sujeio confessou que perdeu a mulher por causa de um gol do Flamengo. Amor, estranho amor. Explicou que estava vendo o jogo na televisão, vidrado, alienado, de olhos esbugalhados, amaldiçoando toda e qualquer jogada do Vasco. Eis que a mulher, a mulher queria justamente naquele complicado momento. Então lá foi ele, um tanto quanto muito contrariado, obedecer aos reclames daquela carne impaciente. Mas deixou a tevê ligada. De repente, no prenúncio do êxtase coletivo dos dois, um a zero para o time da Gávea, quase no final do jogo. O energúmeno torcedor, o energúmeno marido grita gooooool!!!, como se estivesse na arquibancada. Ela pede o divórcio quinze minutos depois.
Gota d'água. Os motivos das separações podem, de fato, ser muito estranhos. Um levatamento do recém criado Instituto Nacional dos Fofoqueiros de Plantão, seccional daqui, revelou alguns casos interessantes. Adelaide abandonou o marido Durval porque ele roncava demais e fazia de menos; Flávio deixou Aidê quando soube que ela não era mais virgem; Lia deu o fora ao descobrir que Firmino tinha uma queda por sua mãe (dela); Joana teve que optar entre Moacir e os bichos, preferiu ficar com os 12 gatos e os cachorros; Irineu disse que Dulce estava gordinha, então ela se mandou pra emagrecer com outro; Celeste não queria fazer aquilo que Toni tanto pedia, por isso ele a trocou pela secretária Izis Maria.
Mas nessa pesquisa tem também um caso curioso de congraçamento: o de Raquel, uma ricaça que ficou com o borracheiro Miguel por causa do curió dele (de acordo com o que confessou à mãe), que cantava uma barbaridade, mas que ele (o dono) não queria vender. A saída foi trazer o cara, e o curió, pra morar com ela, que dispensou o marido. Já o problema de Pedro Augusto era outro: satisfazer os constantes (e cutosos) pedidos da mulher, que sempre o amaeaçava deixar.
- Vamos naquele restaurante tailandês que a Lurdinha falou?
- Hoje não vai dar, Letícia.
- Eu vou embora, Pedro Augusto!
Lá iam eles jantar uma comida que não parecia comida. Mas isso era coisa pequena, apenas uma refeição mais dispendiosa. Problema, por exemplo, foi quando Pedro Augusto teve que pintar todo o apartamento só porque a mulher sonhou com uma certa cor azul, que era turquesa.
Recentemente, quando Letícia fez 40 anos, , o pobre homem perguntou o que ela gostaria de ganhar de presente. Letícia respondeu que QUERIA dançar ao som de "Emoções" , do Roberto Carlos. Só isso? Será que ela tinha mudado? Ora, era só levá-la a um baile, a uma danceteria, pedir que tocassem aquela música chata. Você não enendeu, Pedro Augusto, ela queria fazer isso num show ao vivo do Rei. Bom, aí a coisa fica um pouco mais complicada, é preciso esperar que Ele venha de novo pra cá. Você continuou não entendendo. Letícia queria assistir "Emoções para sempre em alto mar", aquele show do Roberto no navio Costa Victória, um cruzeiro de 7 dias.
- Letícia !!!
- Ou deixo você, Pedro Augusto.
Ele vendeu o terreno de praia para não perder o vasto terreno da mulher. E aos poucos foi vendendo tudo, até ficar praticamente sem nada. Então ela, finalmente o deixou.
Pra não dizer que o final foi triste/piegas como novela mexicana do SBT, acrescenta-se, então, que Pedro Augusto ficou com a Lurdinha, futura ex-amiga de Letícia (e que sempre tivera uma queda por ele). Lurdinha até que estava bem resolvida financeiramente, se bem que Pedro Augusto era um homem que custava pouco. Haveriam de durar muito tempo





Postado por Jaime Ambrósio às 18:08 | Marcadores: êxtase   Energúmeno  

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