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Quinta-feira, 29.03.2012 Cadê o gorgonzola?


Não tinha sorte com empregadas domésticas. Boa mesmo só a Odete, prestativa e engraçada. Mas quando a patroa morreu - Que Deus a tenha em seu jardim celestial! - a danada (no caso, a Odete) escafedeu-se, viajou para um lugar qualquer lá do interior do Paraná, onde ficava a família. Daquele momento em diante foram só decepções para o viúvo Aristeu, que não conseguia achar a "administradora do lar" certa. Primeiro foi a Marieta, menina de uns 18 anos que vivia grudada no telefone e deixava a comida queimar. Tudo bem que ele gostasse daquele arroz tostadinho do fundo da panela, que forma uma crosta crocante, mas às vezes a comida virava carvão mesmo. Depois teve a Maria José, evangélica ferrenha que ficava incomodando Jesus Cristo o tempo todo. Era comum Aristeu perguntar, O que? e perceber que ela não estava fazendo nenhuma pergunta, mas apenas orando em voz alta. A Morgana até que era legal, mas arranjou um namorado ciumento que fazia plantão noturno dentro da casa (do Aristeu). Sujeito tolo!, como se o pecado não existisse de dia.

Por último a Odélia, já confiscada pela menopausa. Aristeu só a aceitou porque foi uma "imposição democrática" da filha Nadir, que fazia uma certa patrulha moral e administrativa na casa dele. Mas como descrever a Odélia, se chamá-la de anta era uma indelicadeza para com o referido quadrúpede? Ora, até as antas têm coração, e Aristeu procurou ser compreensivo, o que não foi nada fácil. Vejamos, então, dois detalhes tão pequenos deles dois, que podem ilustrar a situação. Aristeu abriu a geladeira à procura do seu queijo predileto, queria comer um pedacinho antes do conhaque da tarde. Mas não havia queijo.

- Odélia, cadê o meu gorgonzola?

- Seu o quê, senhor?

- O meu queijo, aquele que tava dentro do potezinho azul, heim?

- Ah, foi bom o senhor tocar no assunto. Não se deve deixar queijo pobre na geladeira. Que fedor medonho quando eu abri o pote, seu Aristeu! O queijo tava até com umas manchinhas verdes, tudo estragado, tudo. Já imaginou se a Vigilância Sanitária batesse aqui?

- E o que você fez, Odélia?

- Ué!, joguei fora.

- Ai, meu Deus!, era o gorgonzola! Manchinhas verdes, Odélia?

E o caso da placa dentária, que também sumiu? O pobre homem tinha bruxismo (que nada tem a ver com bruxas, mas com o ranger dos dentes à noite) e por isso usava aquela plaqueta de silicone endurecido, devidamente moldada nos dentes superiores da frente. Pois um dia Aristeu esqueceu de guardá-la na caixinha, deixando-a sobre a pia do banheiro. Odélia viu aquela "dentadura de plástico que as crianças usam pra brincar de vampiro", e também a jogou no lixo. O prejuízo, claro, foi bem maior.

Por essas e outras é que Aristeu decidiu ficar sem empregada. Iria pegar uma diarista duas vezes por semana, e pronto. Da comida ele mesmo cuidaria, com a vantagem de não deixar queimar nada. Mas isso tudo ainda teria que ser negociado com a filha, que andava com umas idéias de voltar a morar com ele.





Postado por Jaime Ambrósio às 17:38 | Marcadores: Gorgonzola   Plaqueta     

Quinta-feira, 22.03.2012 Ó-lhó-lhó, as pontes sumiram!


Algo de muito sério e misterioso estava acontecendo na Terra, essa nossa casa deveras negligenciada (por eu, tu, nós e “eles”, as “otoridades”, como diz o comentarista). Em várias partes do mundo registrou-se, ao mesmo tempo, mas não ao vivo e via satélite (por algum problema), o desaparecimento de grandes obras e objetos do patrimônio público. Em Washington foi a Casa Branca (com o presidente e alguns asseclas dentro); em Buenos Aires a estátua de Carlos Gardel e, para desespero ainda maior dos hermanos, a camisa de Maradona na Copa de 86; em Londres foi o Big-Bem; em Paris, claro, aquela torre metida a besta; no Paraguai... no Paraguai?!...; no Oriente Médio algumas pirâmides e duas odaliscas; na China a antiga muralha que pode ser vista até de Marte, mas que eu nunca vi; no Rio o Cristo. O Cristo?
Flori(p)anópolis, no sul mágico do Brasil, amanheceu... - Que é isso? – sem as três pontes. As três, sim, inclusive a “Velha Senhora”, que virou cartão postal, adoeceu e espera há muitos e muitos anos pelos medicamentos eficazes, muitos deles vindos do exterior. Parece que agora o remédio vai chegar… A população, logo que soube da novidade, ficou dividida entre o pasmo e a crendice. Os mais afoitos logo trataram de fazer alguns comentários sobre o inusitado “fenômeno”.

CIDADÃO AVULSO 1 – Sinais dos tempos, em que não haverá mais estradas sobre as águas e o mundo se dividirá em duas partes antes da explosão final.

RATO (que na verdade é um sonoplasta) – Eu não disse, Jaime?! Eu não disse?! É o fim do mundo. Mas vocês riram, você e outros...

DONA MARIA DA CAIEIRA – Ólho-lhó-lhó! E num é que o mári inguliu as pônti gêmea e também a enferrujada, aquela de bunito?! Agora é que as vaca vão pro brejo.

RONÉRIO SILVA – Sempre fui a favor do transporte marítimo de passageiros, talvez agora me entendam...

GERMANO – Resta sabê se os ônibus tão preparado pra andá sobre o mar sem afundá.

CIDADÃO AVULSO 2 – Precisamos de pontes que liguem o homem ao Criador do homem.

RATO – Eu falei...

ZEZINHO DO MORRO ALTO – Eu vi, tava indo pescá na passarela da ponte que vem, era bem cedinho, inda escuro. De repente, uma luz no Céu, grande, que puxou todas elas. Parecia um filme que eu quase vi lá em casa.
Era um sábado, e um rebuliço bem maior que o apagão ou a Novembrada. Um caos. Claro que alguns nem ligaram, afinal, não teriam que se deslocar pro trabalho, tanto de lá pra cá, quanto daqui pra lá. Mas outros precisavam atravessar aquele pedacinho de mar perdido na terra, como a turma do Continente, que queria ver o campeonato de surf na Joaquina; ou os jogadores do Avaí (e seus torcedores mordidos) dispostos a ganhar a revanche. Ora, acontece que tudo foi cancelado, até o jogo do bicho na Banca do Mané. Claro que os donos de barcos não perderam tempo. A preços exorbitantes começaram a transportar os habitantes mais apavorados. Neném, que não era o da Costeira, foi fazer o mesmo, com seu barquinho acanhado.
- Num pódi é batê um vento súli!
E assim prosseguiu o drama dos ilhéus e continentais, até o sono derrubar os que ainda conseguiam dormir. No meio da madrugada, quando a balbúrdia havia serenado, eis que a três pontes retornaram à Terra, ou seja, ao mar. Misteriosamente. Florip(a)nópolis amanheceu em festa, era domingo de sol. Mas o que apenas alguns perceberam, de imediato, provocou, depois, um espanto geral: a Hercílio Luz, a Velha Senhora com dores lombares, ficou exatamente entre as duas pontes de concreto.
E assim quase tudo voltou ao seu lugar. Em Nova Iorque, por exemplo, a Casa Branca estava lá de novo, mas o presidente, o presidente não tinha voltado…





Postado por Jaime Ambrósio às 16:56 | Marcadores: ó-lhó-lhó   Novembrada  

Domingo, 04.03.2012 Calma, cidadão!

Se o pacato cidadão aí, sentado na sua confortável poltrona, "quiser" ter um ataque de nervos, só para saber qual é a sensação, então tente cancelar algum serviço tipo Internet, TV Cabo, cartão de crédito, cheque especial, etc. Enquanto aguarda pelo atendimento o distinto consumidor vai ficar por dentro de todos os serviços da empresa ou se familiarizando com as belas sinfonias de Beethoven e Mozart, porque o tempo, nesses casos, tem outra dimensão.

Aqui- Alô, eu queria...

Lá: - Só um minuto, é noutro ramal (transfere).

Lá: - Alô, pois não?!

Aqui: - Eu queria...

Lá: - Um instante, vou transferir.

Aqui: - ... informações sobre...

Você na linha, aguardando pela enésima numa hora indesejável, vez só para saber qual é o procedimento para alterar a portabilidade. Então começa a lembrar de como a história começou, quando or produto foi negociado. Tudo eram flores e amores, mil promessas e juras. O senhor vai ter isso e aquilo, um celular com as mais avançadas tecnologias, um aparelho top, patatipatatá. Que sorriso lindo o daquela vendedora, que ofereceu um cafezinho com adoçante e o ajudou a escolher a musiquinha", aquela partitura chata que iria tocar sempre que aguém ligasse pedindo alguma coisa.

Mas agora você ouve "A primavera", de Vivaldi, ótima melodia que tem a intenção de fazê-lo esquecer da idéia da mudança.

Até que enfim! Depois de algumas temporadas de verão com o telefone pendurado na orelha, você está a vivo, mbora um pouco morto, mas com a atendente certa. Pode postar, não va ser fácil.

Lá: - Ana Paula. Boa noite. Em que posso ajudá-lo?

Aqui:- Eu quero passar o meu celular pro sistema pré-pago.

Lá: Posso saber porquê, senhor?

Aqui: - Não, não pode! E pronto!

Lá: - Está bem. Preciso checar alguns dados: CPF, RG, endereço,
data de nascimento, estado civil, tipo sanguíneo, nome da mãe, do pai...

Aqui: - Não quer saber qual o tipo de anzol que eu uso pra pescar?

Lá: - Não senhor, mas durante uma pescaria é mais seguro um telefone pós-pago, que não depende de recarga. E não é só isso...

Aqui: - Pois eu prefiro uma linha 0.80, que é pra poder estrangular alguém rapidamente.

Lá: - Senhor, lembre-se que nossa conversa está sendo gravada!..

Aqui: - FAÇA LOGO O QUE EU PEDI, SUA!...

Viu? As narinas inflaram, a respiração acelerou e a adrenalina subiu aos píncaros. Você está tendo um ataque de nervos.

Na verdade esse foi foi um parente meu, José Cristiano, que conseguiu mudar o sistema, mas precisou, depois, fazer um tratamento, com rezas, mandingas, terapias, chás, para acalmar o outro sistema, o nervoso. Agora, quando precisa cancelar alguma coisa, ou solicitar outra, ele deixa por conta da mulher, que não tem papas na língua.

Aqui: - Escuta, nega, aqui é Mãe Silvinha, macumbeira famosa nestas bandas, num tem? Quero acertá um negócio aí contigo, mas se tu demorá e fizé muita pergunta tu vai amanhecê bem diferente do que tu é, istepor!





Postado por Jaime Ambrósio às 17:24 | Marcadores: Net   Tv   Atendimento Ao Público   Tele Marketing  

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