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Domingo, 24.06.2012 parodiando stanislaw


A mulher passava pelo posto policial todo santo dia, finalzinho da tarde. A mulher carregava na bicicleta uma lata, dessas grandes, cheia de alguma coisa pesada. A lata amarrada fortemente na garupeira. Os policiais começaram a desconfiar da mulher, que parecia não desconfiar de nada. Então um deles, querendo acabar com o mistério, mandou-a parar, iria fazer uma inspeção. Ora, o policial já descobriu muamba em cada lugar que vocês nem imaginam, quem dirá numa lata de tinta dessas, de 20 litros. Ora, ora, ali perto, na região de destino da mulher, tinha aquela localidade que tanto trabalho dava para eles, um reduto de drogas e drogados, drogueiros. O policial vasculhou a areia, despejada no chão, mas não encontrou nada além de zilhões e zilhões de grãozinhos quase brancos, que a pobre mulher juntou pacientemente com a caneca de alumínio que trazia. Depois, mostrando força de homem, recolocou a lata no lugar, firmando-a com a corrente.

Mas não desistiu o policial, no dia seguinte mandou a mulher parar de novo. Ora, ora, ora, ela simplesmente poderia estar transportando algum produto suspeito agora, já que foi vistoriada ontem. Tudo armação pra enganar a polícia, ia matutando o homem da lei, que já havia visto muita coisa parecida antes. Tinha um cara que no final de semana ficava passeando pelo bairro com uma velhinha, conhecida de muitos no local. Quem se aproximava para cumprimentá-la recebia um doce caseiro, que ela mesmo fabricava. Descobriu-se depois que dentro das guloseimas havia bagulho e que o rapaz era traficante. A velhinha alegou que nada sabia, então o neto é que foi parar na cadeia. Ela continuou fazendo doces caseiros, que era pra ganhar alguma grana honesta. Mas, voltando ao início do parágrafo, o PM ordenou que a mulher espalhasse a areia no chão, e mais uma vez examinou a carga, e mais uma vez nada havia além de areia.

E assim foi durante vários dias. Nada de droga, muamba, nada de nada. Um dos policiais desconfiou então de umas pedrinhas escuras misturadas à areia. Um perito examinou o material e constatou que eram apenas pedacinhos de calcário, de conchas ou coisas que o valham. Um dia o policial de plantão abriu o jogo, pediu à mulher que confessasse o crime, afinal, alguma coisa proibida ela devia estar transportando naquela lata.

- A senhora me diz o que é, e eu esqueço tudo, faço de conta que não vi nada. Mas preciso saber: o que a senhora carrega de ilegal dentro dessa lata?
- Areia, seu guarda, areia lá das duna. Eu mais o meu nego vamo fazê um barraco de concreto, coisa lindja.

(Stanislaw Ponte Preta escreveu “A velhinha Contrabandista”. Na crônica a personagem-título cruzava todo dia a fronteira carregando numa lambreta um saco de areia, que sempre era revistado, mas em vão. A exemplo da história de hoje a velhinha de Stanislaw também contou a verdade, dizendo que contrabandeava... lambretas.)





Postado por Jaime Ambrósio às 18:51 | Marcadores: Zilhões   Matutando   Guluseimas  

Sexta-feira, 22.06.2012 Futebol é uma ciência exata?

Futebol é uma ciência exata? Não, não é. Mas as estatísticas dizem muitas coisas sobre a forma como os times jogam e, principalmente, a característica de determinados jogadores.

Por esse motivo, desde que decidi me dedicar ao jornalismo esportivo, sempre fui muito interessado em números e dados. Em alguns momentos, sou até motivo de chacota por parte de alguns colegas por divulgar na rádio, TV e internet informações do tipo: “dos 5 gols que fulano fez no campeonato quatro foram de perna direita, 1 de perna esquerda, 1 de cabeça e todos dentro da grande área pelo lado esquerdo – com exceção ao tento marcado de cabeça que foi anotado dentro da pequena área”. Porém, pouco me importo com a opinião alheia. Aliás, eles sabem de futebol tanto quanto eu e os respeito por isso. Mas é claro... enquanto os números seguirem me mostrando o tanto que clareiam minhas ideias para compreender melhor a cabeça dos treinadores, eles seguirão como meus fiéis escudeiros para argumentar, contrapor, discutir e informar sobre o futebol. Bem vindo ao mundo de um apaixonado por estatísticas do esporte número 1 do mundo! Bem vindo a minha coluna semanal aqui no site da BAND SC!

Vamos começar? Abaixo fiz um breve “raio-x” do Avaí nesse Campeonato Brasileiro da Série B. Os dados foram pegos através de um dos softwares mais utilizados por treinadores, empresários, clubes e imprensa do mundo inteiro, o Footstats. Para não assustá-lo, querido leitor, não vou exagerar nessa primeira dose de “estatiscol”. Serão números básicos. Alguns, talvez, você até já os conheça. Entretanto, a análise deles em conjunto lhe dará a oportunidade de descobrir uma infinidade de coisas. Dentre elas - para mim a principal - por que seu time tem jogado mal ou – tomara – bem e porque seu treinador escala aquele ou esse jogador.

Vamos lá! Primeiro darei os números do Avaí FC – comparado aos outros 19 clubes da Série B 2012 – , em seguida passarei os destaques estatísticos de alguns atletas e na sequência faço uma rápida análise (todos os dados foram computados até a 6ª rodada):

Avaí FC

- Gols marcados: 10ª posição – 8 gols (média de 1,3 por jogo) [1º Criciúma – 15 / 5 por jogo];
- Passes certos: 6ª posição – 18076 (média de 301 por jogo) [1º Paraná – 1900 / 316 por jogo];
- Finalizações certas: 16ª posição – 28 (4,7 por jogo) [1º Paraná – 49 / 8,2 por jogo];
- Dribles certos: 4ª posição – 76 (12,7 por jogo) [1º Ceará – 84 / 14 por jogo];
- Cruzamentos certos: 6ª posição – 26 (4,3 por jogo) [1º Guarani – 33 / 5,5 por jogo];
- Desarmes: 1ª posição!!!! 141 (23,5 por jogo)
- Viradas de jogo certas: 2ª posição – 63 (10,5 por jogo) [1ºParaná – 68 / 11,3];
- Perdas de bola: 1ª posição – 257 (42,8 por jogo);

Jogadores do Avaí FC

- Passes certos: 6º Pirão - 231 (média de 38,5 por jogo) e 10º Leandro Silva – 209 (média de 34,8 por jogo) [1º Fernandinho {Paraná} – 288 / 48 por jogo];
- Finalizações certas: Ninguém do Avaí no TOP 10 [1º Lucca {Criciúma} 16 / média de 2,7 por jogo];
- Dribles certos: 8º Cléber Santana - 18 (3 por jogo) [1º Eduardo {JEC} 25 / 4,2 por jogo];
- Cruzamentos certos: 5º Pirão - 9 (1,5 por jogo) [1º Wellington Bruno {Ipatinga} 13 / 2,6 por jogo];
- Desarmes certos: 8º Pirão – 22 (3,7 por jogo) e 10º Bruno Silva – 19 (6,3 por jogo)* [1º Augusto Recife {São Caetano} / 4,7 por jogo];
- Faltas recebidas: 3º Cléber Santana – 24 (4 por jogo) [1º Arthur {Paraná} 29 / 4,8 por jogo];
- Viradas de jogo certas: 2º Cléber Santana – 18 (3 por jogo) [1º Zé Luis {Paraná} 21 / 4,2 por jogo];
- Perdas de bola: 7º Cléber Santana – 37 (6 por jogo) e 10º Felipe Alves – 35 (7 por jogo) [1º Tartá {Vitória} 51 / 8,5 por jogo}

Conclusão: Apesar de contestado por parte da torcida Azurra, nos números Pirão mostra porque tem a confiança do técnico Hémerson Maria. Já sobre as constantes aparições de Cléber Santana, não é nenhuma novidade. O meia azurra – volante de origem – é o atual talismã do elenco avaiano. Quanto ao fato de Cléber aparecer como o 7º jogador que mais perde bolas há uma justificativa: ele esta entre o TOP 10 dos “dribladores” da Segundona. Nada mais normal um cara que tanto dribla, por vezes ser desarmado. Por esse mesmo motivo ele é o 3º atleta mais caçado em campo na Série B. No conjunto o único número preocupante é aquele que mostra o Leão como um dos time que menos chuta a gol e, graças a Pirão e Bruno Silva, o time da Ilha de Santa Catarina é líder nos desarmes. Num campeonato tão disputado e “pegado” como é a Série B, caso essa característica seja mantida, isso vai fazer a diferença para o Avaí conseguir o acesso à Série A.

Olho neles: Apesar de estar apenas na 10ª colocação o Paraná é um time que mostra ter jogadores de qualidade. A equipe lidera estatísticas como passes certos, finalizações certas e viradas de jogo certas. Tem também Arthur que é o jogador mais caçado (com um bom batedor de faltas isso pode se tornar um bom aliado) e Zé Luis que lidera as viradas de jogo (Ricardinho, o técnico do Paraná, quando jogador fazia isso como poucos).




*Bruno Silva disputou 3 jogos. Sendo assim, tem entre todos os jogadores da Série B a maior média de bolas roubadas.

Postado por Gustavo Bossle às 17:16 | Marcadores: Bruno Silva   Avaí   Série B   Gustavo Bossle   Estatísticas   Números   Dados  

Sexta-feira, 15.06.2012 O juiz ladrão e a mãe


Uma coisa é o juiz (ladrão), outra coisa é a mãe dele, velhinha boa e prestativa, que gosta de passear no quarteirão, que aguarda, pacientemente, por um convite de Deus (e por isso vai à missa duas vezes por semana), que faz panquecas saborosas, que abençoa o filho antes de ele ir pro estádio. Mas a torcida não quer nem saber, pagou ingresso e, assim sendo, munida de legítimo direito, xinga, xinga, xinga o juiz ladrão, mas xinga também a mãe dele, que, inocentemente, torce pelo filho normalmente assistindo ao jogo pela televisão ou ouvindo pelo radinho de pilha. De qualquer maneira “filho daquela” é cruel, principalmente vindo de um coro incessante, quase possesso. Melhor seria se fosse “filho da mãe”, o que também não muda muito a situação. É cruel aquela expressão porque carrega uma dose dupla de maldade vocabular: agride a mãe para atingir o filho e vice-versa.

Dona Silvana, a velhinha que faz panquecas, teve a infelicidade de ver seu rebento apitar um jogo de maneira vergonhosa, aviltante. As outras partidas não haviam sido tão escandalosas. Se fosse um erro, seria apenas um erro; se fossem dois ou três, vá lá, ninguém é perfeito. Mas cinco, seis, um monte? A pobre senhora foi obrigada a ouvir aquele refrão várias vezes, sentindo-se a mais desprezível das criaturas da terra. Imagina se soubessem que ela estava lá, encolhida na arquibancada coberta?

- Seu sem-vergonha! Não te acredito! Foi pra isso que eu te coloquei no mundo, foi?

- Qual é, mãe? Que foi que eu fiz desta vez?

- Não se faça de tolo! Mas eu vou dizer: você deu um pênalti que não houve, deixou de apitar um outro que foi claro, marcou um monte de impedimento que não existiram, não deu bola pro bandeirinha quando ele assinalou uma falta duríssima. Tudo pra favorecer o time grande.

- Só dei uma forcinha, mãe. O negócio é ajudar os grandes. Os pequenos não chegam mesmo, e nem têm grana pra me pagar. Eu quero é dinheiro, bufunfa, money, dindim, cash.

- Desnaturado!

- Tem muita gente que apita com segundas intenções, só pra favorecer algumas equipes daqui e dali. Eu roubo, mas encho o bolso.

- Não te acredito!

- Sabe o Edílson, aquele que eu te apresentei no churrasco. Ele disse que participava de um esquema legal de propina, coisa que ninguém iria descobrir. Talvez eu entre nessa também.

- Você toma droga, filho? E se começarem a fazer antidoping nos juízes?

Na semana seguinte, depois de mais uma dessas conversas esclarecedoras, a mãe desabafou:

- Sinto muito, meu filho. Mas uma hora eles vão te pegar.

- E quem é que vai me dedurar, me diz?

- Eu, a sua própria mãe. Já entreguei uma fita com as nossas conversas pro delegado. Eu gravava tudo.

- Não acredito !! Você? A minha própria mãe???

- Cartão vermelho pra você, ladrão!...





Postado por Jaime Ambrósio às 10:40 | Marcadores: Possesso   Panquecas   Quarteirão  

Quinta-feira, 07.06.2012 Passeando de gaiola

Não sei se há algum levantamento, mas Florianópolis, em termos relativos, deve ser a cidade com o maior número de pássaros engaiolados. Também não sei se esse fato é bom ou ruim para a reputação da Ilha da Magia, que se estende, via ponte, para um continente povoado pela mesma tradição. Além dos próprios bichos (sem poder de opinião na lei dos homens) há quem conteste essa prática de clausura, invocando o direito natural desses seres à liberdade.
Mas como ir contra o desejo do povo de ter um bichinho de estimação, mesmo que seja dentro de uma gaiola? Gaiola é prisão, dirá alguém, e prisão é para bandido. Bom, o fato é que uma parcela da população possui gaiolas habitadas por esses pequenos cantadores penados (mas que são deste mundo mesmo). Muita gente até passeia com eles pelas ruas, como quem passeia com o cachorro ou o filho pequeno.
Quer ver o Juca da Caieira, passsarinheiro de carteirinha. O homem não arreda o pé de perto do Espiguinha, um canário de peito amarelo que canta mais do que qualquer dupla sertaneja. Quando lhe disseram que não podia entrar na igreja com o pássaro, deixou de ir à missa, passou a rezar somente em casa, ao lado da gaiola, que parecia mesmo uma capelinha. Um dia desses ainda iria reclamar pro bispo que, se fosse o caso, poderia interceder junto ao Papa. Que mal um passarinho há de fazer na casa de deus?
Afora isso ele podia transitar com o canário em praticamente todos os lugares que sempre era bem-vindo. No shopping, é certo, um segurança quis barrá-los, mas Juca insistiu, argumentando que não há lei contra isso e que ele, o segurança, deveria fiscalizar os caixeiros, trombadinhas e trombadões, isso sim. Além do mais, insistiu, o shopping é um verdadeiro zoológico, tem de tudo: perua, cobra cascavel, urubu, leão de chácara, capivara, cada um na sua. O segurança, na dúvida, e não querendo prolongar aquele diálogo, liberou a permanência daquelas duas espécimes raras: passarinho e dono do passarinho. No fim das contas Espiguinha, com seu trilar imponente e sua bela plumagem, tornou-se atração para a fauna toda, principalmente para os grilos falantes, ou que sejam, as crianças.
No Bar do Valdir, onde o Juca batia ponto dia sim, dia também, Espiguinha era uma espécie de mascote, muito bem quisto por todos. Mas a gaiola ficava sempre em cima da mesa, por causa das intenções funestas do Bola, o gato ciumento da filha do Valdir. Quando voltavam para casa, no final da tarde, os dois estavam sempre meio grogues: Juca errava alguns passos, Espiguinha escorregava por causa do excesso de bafo de pinga. Mesmo assim os dois cantavam pela rua...
Mas um dia Juca caiu com a gaiola, a portinha se abriu e o canarinho voou.... estava livre. Para contrariar o óbvio, ao invés de beber ainda mais, Juca tornou-se abstêmio (e macambúzio). E não adiantava trazerem-lhe outros pássaros de presente, não era a mesma coisa. Juca esperançoso. Deixava a gaiola sempre aberta e aguardava sentado na varanda. Passado um mês uma boa nova; Espiguinha voltou...
Daí que Juca da Caieira também voltou, a beber, para festejar a vida. Mas bebia bem menos do que antes, moderadamente, como manda a propaganda.





Postado por Jaime Ambrósio às 16:56 | Marcadores: Caixeiros   Mascote   Macambúzio  

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