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Terça-feira, 31.07.2012 Figueira quer Claudinei. Quem é? Descubra aqui

Informações apuradas pela equipe de reportagem do Jogo Aberto SC dão conta que o Figueirense estaria interessado na contratação do volante do BOA Esporte Clube Claudinei. Como eu sabia poucas informações sobre esse jogador, resolvi dar uma “bisolhada” nas minhas fontes de pesquisa em relação às estatísticas para conhecer mais acerca desse atleta. Descobri fatos bem interessantes. Por exemplo, entre partidas jogadas no Mineiro e no Brasileiro da Série B ele foi substituído em apenas 1 jogo! Já é um bom sinal. Mas ainda temos muito mais para falar. Vamos lá!

FICHA TÉCNICA:

Nome: Claudinei Junior de Souza
Altura: 1,78
Peso: 77 kg
Pé preferido: direito
Naturalidade: Sete Lagoas/MG
Idade: 23 anos (08/10/1988)
Clubes: Democrata/MG (2008 – 2009), Ituiutaba/MG (2010) e BOA EC (desde 2011)

TEMPORADA 2012:

Jogos em 2012: 24 (11 Mineiro – 13 Série B) / 7 vitórias / 8 empates / 9 derrotas
Gol(s): 1 de cabeça (vitória do BOA EC sobre o Uberaba por 4x0)

NÚMEROS E ESTATÍSTICAS NA SÉRIE B:

- 3º jogador da Série B com maior número de desarmes (59 total / 44 certos – média de 3,4 por jogo / aproveitamento de 74,6%)
- 4º jogador do BOA EC com melhor aproveitamento nos passes (88,7%)
- média de 46 segundos de posse de bola por partida
- Assistência(s): 1
- 3º jogador do BOA EC com mais faltas cometidas (26) e 5º com mais faltas recebidas (15)
- 4º atleta do BOA EC com melhor aproveitamentos nos dribles (9 tentativas e 9 acertos -100% de aproveitamento / média de 0,7 por jogo)
- Finalizações: 4 (1 certa – 3 erradas / todas de cabeça / dentro da área / nenhum gol / origem: 1 escanteio e 3 cruzamentos)

Resumo: Uma das coisas que mais me chamou atenção foi o número de partidas jogadas seguidamente pelo volante do BOA EC. Claudinei fez 24 jogos em 2012. Desses, só foi substituído em apenas uma oportunidade (derrota 4x3, Criciúma, jogou 50 minutos). Em todas outras 23 partidas ele participou dos 90 minutos! Fato raro, principalmente para um volante. É sabido que essa contratação visa “tapar o furo” deixado pela negociação de Ygor com o Internacional. Se compararmos a média de desarmes dos 2 atletas, com 4,3 roubadas de bola por jogo, o ex-alvinegro leva a melhor. Detalhe: Ao levar em consideração apenas os jogos de Ygor pelo Inter, o volante tem “somente” 100% de aproveitamento nesse quesito. Foram 13 acertos em 13 tentativas. Como Ygor é passado, voltemos a falar de Claudinei. Outro número curioso e que pode ser explorado no Figueirense são as finalizações dele. Foram 4 tentativas com 1 acerto. Todas elas de cabeça. Advinha como foi o único gol de Claudinei na atual temporada? TCHARAN! De cabeça, pelo Campeonato Mineiro, na goleada do BOA EC de 4 a 0 sobre o Uberaba.

Vai dar certo? Tenho a impressão que sim. Nada mais do que impressão. Pelos números não criei muita expectativa que ele possa resolver os problemas da proteção de zaga do Furacão. Mas é preciso considerar... estamos falando de um jogador com apenas 23 anos. Ao lado de Túlio, caso tenha humildade suficente para ouvir a voz do craque e da experiência, pode ter um futuro interessante.

HASTA LUEGO!




Diretoria do Figueirense negocia com volante do BOA EC Claudinei

Segunda-feira, 30.07.2012 O trote que saiu pela culatra

O menino, na saída da escola, decide passar um trote, porque entende, na sua precoce irresponsabilidade, que tal façanha pode ser um passatempo divertido. O menino, do orelhão, liga para o SAMU.

- Alô! É do SAMU?
- “Sim, qual é a emergência?”
- Meu avô, ele tá passando mal, tá tendo um troço, não sei o que fazer.
- “Você tá sozinho com ele?”
- Sim.
- “Qual é o endereço?”

O menino, com sua prodigiosa esperteza, passa o endereço da casa vizinha, onde mora o seu Tuca, um velho aparentemente ranzinza, que detesta médicos, que gosta de se tratar sozinho. O menino, já rindo de contentamento, vai atravessar a rua para se encontrar com os amigos que o aguardam atrás do muro do terreno baldio. Estão todos preparados para morrer de rir quando a ambulância chegar. O menino vai atravessando a rua sem se preocupar com o trânsito, que também não se preocupa com ele. O carro apressado não vê o menino, que não vê o carro apressado. Um pequeno corpo estendido no chão. Um corte no riso, um espanto no ar...

O carro do SAMU chega para socorrer o velho, mas tem um menino numa poça de sangue, um menino. Médico e enfermeiro se olham sem saber o que fazer primeiro. É preciso agir. Alguém informa que o Corpo de Bombeiro foi acionado, mas estavam combatendo um incêndio, não podiam vir. Dividem-se: o jovem enfermeiro vai cuidar do menino; o médico, mais experiente, se dirige à casa do velho. Seu Tuca o recebe friamente, aos berros, dizendo que está cheio de saúde, que nunca se sentiu tão bem; que o rapaz devia estar lá, cuidando daquele pivete que vive passando trote nos outros.

Imobilizam o menino, levam-no para o pronto-socorro. Um corte na cabeça, um braço quebrado, mas nenhum risco de morte. Ainda bem – disseram – que a ambulância deles passou por ali naquele momento. Ainda bem – concordaram os meninos – que o Luizinho não deu um endereço mais longe, num outro bairro.

Luizinho, depois que recebeu alta, jurou para a mãe que iria estudar para ser médico, e decidiu iniciar uma campanha na escola contra todos os tipos de trotes. Os amigos também iriam participar.

**

Esta história quase infantil, de final quase edificante, também se presta a homenagear o pessoal que sai por aí com a missão de salvar vidas, mesmo sabendo que grande parte das chamadas é trote, este perigoso passatempo dos alegres covardes. Esta história é apenas mais uma no meio de tantas outras. Luizinho explicou, na sala de aula, que um trote pode matar se o carro do atendimento de urgência estiver longe, na direção de algum caso inventado. Então você terá sido, assim, uma espécie de assassino, um pequeno assassino.





Postado por Jaime Ambrósio às 19:45 | Marcadores: Samu   Trote   Ranzinza  

Sexta-feira, 27.07.2012 Ele é Sir. Hémerson Mourinho Maria Guardiola

Olá, leitores! Ao ler esse texto peço para que você abstraia da sua mente as palavras 'sorte' e 'se', ok? Outro recado, essa publicação é dirigida exclusivamente para torcedores avaianos. Não é avaiano? Não vá em frente. Não passe dessa linha. Afinal, o papo aqui é coisa de quem sabe o que é torcer para o Avaí. O que eu sei de torcer pelo Leão? Sei tudo e mais um pouco. Meu pai é um Azurra daqueles.

Bem, vamos ao que interessa. Tenho conversado muito com o meu velho sobre a situação do time dele nessa Série B. Volta e meia ele me vem com a tradicional pergunta que eu mais tenho respondido em elevadores, corredores de supermercado, estádios e até em banheiro de shoppings: “Tu achas que esse Avaí tem jeito? Será que sobe?”. Minha resposta é sempre a mesma: “Olha, se dependesse da minha vontade esse time seria líder da Série A e Campeão da Libertadores todos os anos”. Mas como não depende dela (minha vontade), posso afirmar com toda segurança que caso sejam contratados 2 bons atacantes, e com confirmação da assinatura de contrato de Marquinho Paraná, esse time estará na elite do futebol nacional em 2013. Esses caras vão ser contratados? A diretoria avaiana já reconheceu a necessidade de ter essas peças. Meio caminho andado. A outra metade da estrada está na escolha deles.

Mas o que me faz ter tanta certeza que faltam pequenos detalhes para mais um acesso do Leão à elite do futebol nacional é o trabalho de Hémerson Maria. O cara sabe muito. Muito, mesmo! Enxerga o jogo como poucos. É possível notar essa habilidade do técnico avaiano quando ele mexe no time. As substituições – quando não forçadas por expulsões ou contusões – elas sempre surtem efeito. É necessário saber relevar, ainda, como é difícil fazer modificações no Avaí de hoje. Há carência na formação titular, imagine na formação do banco de reservas.

Não sou da opinião “técnico não ganha jogo”. Como não? Se assim fosse, qualquer paspalho ficaria lá na área técnica e os clubes economizariam o sagrado dinheirinho, oras. Treinador não só ganha jogo como também conquista títulos. HM é um desses “profissionais do gramado” que ganha jogos e títulos. Foi campeão estadual em 2012 depois de dar um nó tático no também inexperiente colega de ofício Branco (ex-Figueirense).

Como Hémerson ganha os jogos? Ele segue a filosofia dos principais técnicos do mundo formada por um tripé do sucesso: 1º gol, 2º defesa (principalmente com pressão na saída de bola) e posse de bola. Desses 3 ingredientes, 2 cabem diretamente ao treinador. O primeiro é o de criar mecanismos de sincronia defensiva com movimentação de volantes, laterais, zagueiros, meias e até atacantes. Tudo precisa funcionar com harmonia. Se alguém cochilar, já era.

A segunda especiaria de responsabilidade de uma comissão técnica está na formatação, posicionamento, e aproximação de jogadores em campo para permitir assim o maior tempo possível que o time permaneça com a bola nos pés. Esses dois requisitos do já citado “tripé do sucesso”, para felicidade da geral avaiana, estão incluídos no atual elenco graças ao inteligente comandante azurra.

Como justificar essas minhas afirmações? Com eles e elas! Os números e as estatísticas. Bóra?

DEFESA: A primeira é um exercício para quem vai ao campo. Se você assiste aos jogos somente pela televisão fica um pouco mais complicado de enxergar. Não é impossível. Mas fica mais complicado. Vamos lá! Todo mundo sabe que o Avaí tem dois excelentes zagueiros, certo? Aliás, a melhor dupla de zaga de Santa Catarina e uma das melhores do país, eu diria. Porém, sistema defensivo vai muito além ter 2 bons beques, né?! Tem ainda Bruno (jogador com a melhor média de desarmes na Série B – 4,9 roubadas de bola por jogo), o bom goleiro Diego, o polivalente Pirão (10º jogador com mais bolas roubadas na Série B) e o constante segundo volante Mika (2º jogador do elenco azurra que menos comete faltas). Mas o grande segredo de HM está na pressão na saída de bola do adversário. Por conta do desgaste e da exposição da equipe elas não acontecem a todo momento pois é muito desgastante. Em contrapartida, meias e atacantes do Avaí se revezam, durante a saída de bola do adversário, para fazer a defesa do oponente sair na base no chutão. Chutão dado e o que acontece? Na maior parte das vezes essa bola “espirrada” fica para o Leão da Ilha. Essa é uma das melhores formas de se construir jogadas ofensivas, já que a outra equipe está ainda em fase de arrumação da defesa. Afinal, eles estavam preparados para atacar. Além disso, essa estratégia de marcação pressão com os homens de frente liga ao próximo ingrediente presente na cozinha de Maria.

POSSE DE BOLA: Em levantamento feito recentemente descobri algo que já imaginava. Em todos os jogos dessa Série B o Avaí teve mais posse de bola do que os adversários. Inclusive nas derrotas! O time que chegou mais perto de “colocar o Leão na roda” foi o Altético-PR. No scalt desse jogo, 2 a 1 para o Rubro-Negro paranaense, foi marcado 50% de posse de bola para cada lado. Mas o Avaí leva vantagem de alguns poucos segundos. Mais uma vez quero ressaltar: essa é uma característica acrescentada ao Avaí graças a HM. O time do antigo treinador avaiano Mauro Ovelha ficou conhecido pelos chutões. Já Hémerson Maria dá preferência por sair com a bola no chão desde o campo de defesa. Não estou dizendo, também, que vez por outra Leandro Silva ou Renato Santos não enfiam um bico na bola para onde o nariz está apontado. Muito disso (posse de bola) tem a ver com aquela defesa pressão exercida por atacantes e meias no campo adversário. Quanto mais pelotas forem rifadas pelo adversário, mais tempo com a bola no pé o Avaí terá. Daí se torna obrigatória ter dois meias com bom toque e domínio de bola. Cléber Santana é um. Espera-se que Marquinhos Paraná, finalmente, seja o outro. E os gols? Quem faz? É. Esse é hoje, na minha opinião, o maior problema na Ressacada. Bóra devanear?

GOLS: Eis o sal dos ingredientes! O principal de todos os temperos. Uns usam muito, outros usam pouco. Mas ele nunca pode faltar! E hoje no Avaí não falta atacante. Eu falei certo. Não falta A-TA-CAN-TE. E sim, faltam atacanteS. Sei lá se a fase é ruim, se é deficiência técnica dos jogadores contratados, ou ainda se nesse esquema montado por Hémerson Maria eles não têm as características necessárias. As estatísticas mostram o Avaí com o 5º pior ataque da segundona com 12 gols marcados. Não bastasse isso, o Leão da Ilha também é o 3º time com menos acertos no gol na Série B. O clube carrega a péssima média de 4,5 finalizações certas por jogo. É muito pouco. Pior que isso só dois disso! E outra não dá para pôr a responsabilidade nos ombros de Laércio. Ele é um jovem com muito valor, mas precisa ser lapidado. Aliás, Carreirinha é a melhor de todas as opções para o ataque avaiano.

A posse de bola, a mais rara e cobiçada das especiarias, HM – com todas as limitações do elenco atual – criou um mecanismo para conquistá-la. Defesa também está ok. Nesse caso, méritos, também, do departamento de futebol profissional do Avaí. Contratou jogadores (Pirão, Renato Santos, Leandro Silva, Diego e Mika) com qualidade para esse setor. Coube para Hémerson Mourinho... digo... Hémerson Maria tratá-los como defensores e não beques do interior.

O acesso à Série A de 2013 está nas mãos da diretoria. É só contratar mais 2 jogadores. Quer apostar? O sucesso da carreira de Maria acho que ninguém dúvida.

Posse de bola do Avaí, nessa Série B, contra:

- BOA, empate 2x2 – 64%;
- São Caetano, vitória 1x0 – 57%;
- América-RN, derrota 1x0 – 54%;
- JEC, derrota 2x1 – 63%;
- Ipatinga, vitória 2x1 – 57%;
- América-MG, vitória 2x0 – 52%;
- Guaratinguetá, empate 1x1 – 58%;
- Vitória, derrota 2x0 – 52%;
- ASA, vitória 2x0 – 62%;
- CRB, derrota 2x0 – 55%;
- Atlético-PR, derrota 2x1 – 50% (8 segundos a mais de posse de bola. Coincidentemente – não para mim e sim para os céticos a estatísticas – esse foi jogo em que o Leão mais errou passes nessa Série B; 46);
- Goiás, derrota 2x0 – 52%.

p.s. você, alvinegro bisbilhoteiro, ficou em pânico com esse texto? seu time com um pé na segundona e o rival com grandes chances de subir. que fase, heim?! ah! eu avisei. não era para ler.

HASTA LUEGO!!!





Terça-feira, 24.07.2012 O dia em que Gabrille me assustou

Depois do nascimento da minha Carol, enfim chegou a semana que eu mais esperava nos últimos 4 anos! É que começa nesta quarta-feira, em Londres, a 30ª edição dos Jogos Olímpicos. “Tá, mas esse cara que diz gostar tanto de futebol vai me dizer que 2 anos antes ele não esperava com essa mesma ansiedade pela Copa do Mundo?”, perguntam-se os mais atentos. Posso garantir para quem balbuciou esse tipo de questionamento que a minha resposta é... não. Sempre fui bem mais fã das Olimpíadas do que da Copa. E é claro que existe um ponto específico no qual é traduzido esse meu apego maior pelas Olimpíadas. Quer saber qual é o tal “ponto específico”? Então, sente-se, leia e relaxe. A história é boa!

Lembro-me quase que perfeitamente. O ano? 1984. E o cenário visto pelos meus olhos, através de um televisor, era o estádio olímpico de Los Angeles e seus mais de 90 mil espectadores que assistiam “in loco” à última prova daquela 23ª edição dos jogos. Eu, que acabara de completar 4 anos de idade, estava sentado ao lado da minha mãe, a qual se se mostrava nitidamente apreensiva. Ao absorver aquele nervosismo aparente de dona Inalva, meus olhos ficaram esbugalhados e imóveis. Nada fazia com que eu mudasse meu rosto de direção. Estava compenetrado naquela Telefunken colorida estacionada sobre um grandioso armário de cerejeira. Como morávamos – ela ainda mora – no alto de um morro a imagem era muito boa para os padrões tecnológicos da época. Minha mãe, sempre muito preocupada, tentava me explicar o que se passava com uma moça magrinha que usava um boné branco, e o que aquela cena poderia representar para mim. Mas eu pouco ouvia e, principalmente, por conta da idade, muito menos compreendia. Tenho a vaga lembrança de então estar boquiaberto e que meus ouvidos absorviam ao fundo uma quantidade de frases confortadoras e amenizadoras da imagem então captada pelas minhas retinas – filtrada por óculos gigantescos de lentes verdes. Mas não adiantava. Eu tinha um ponto fixo. Essa fixação era numa mulher que mais parecia alguém com problemas de locomoção do que uma maratonista. Era ela, o maior exemplo de superação que minha mente guarda registro até os dias de hoje, a suíça Gabrielle Andersen, que tirava forças da alma para completar os 42.195 metros da maratona - modalidade que debutava na versão feminina numa edição olímpica. Lá na pista, no calor escaldante do verão californiano, foram 100 metros assistidos com pura agonia e angustia, completados pela moça de 39 anos em pouco mais de 6 minutos. Ao cruzar a linha de chegada, na 37ª posição, a atleta se jogou nos braços dos fiscais, desmaiou e o estádio pulsou de alegria. Foi aí o meu maior susto. Afinal, o que havia levado aquela mulher a cometer tamanha penitência? E mais... Por que minha mãe chorava? Outro questionamento: por que a voz que vinha da TV falava com tanta empolgação de um caso que havia sido absorvido pela minha mente como algo tão dramático, assustador e triste? Eu, como toda criança, simplesmente não achava legal ver alguém sofrer. E naquele contexto sofriam duas: minha mãe e Gabrielle. Foi assim que interpretei uma das cenas mais impactantes na história do esporte mundial. No fim das contas, aquilo me deixou muito chocado. Tamanho choque faz essa cena se manter viva em minha memória até os dias atuais. Porém, hoje, obviamente, enxergo aquele episódio de outra forma. Enxergo com os olhos de quem, ao estar recém-saído da infância, sempre ouviu com bons ouvidos a frase eternizada pelo então Barão de Coubertin, o educador frânces Pierre de Frédy, na mesma Londres de 1908, durante a edição da 4ª edição dos Jogos Olimpícos, que dizia: “O importante não é vencer, mas competir!”. Foi o que Gabrielle fez. Competiu da melhor maneira que pode. Aliás, ela competiu com muito mais entrega do que qualquer outro competidor daquela Olimpíada. No auge do desgaste físico e emocional no qual se encontrava, ela conseguiu vencer mente, músculos e um corpo altamente desnutrido. Nascia ali, para mim, o maior exemplo de que tudo é possível. Mesmo quando todos – inclua seu cérebro e corpo - dizem não.

E aí? Conseguiram compreender por que prefiro Olimpíadas a Copa do Mundo? Ah! Não é que não goste do mundial de futebol. Claro que gosto. Porém, não tanto quanto as olimpíadas. Só isso!

Bem. Vamos falar de Londres 2012? Impossível falar da capital da Inglaterra e Jogos Olímpicos sem antes falar das outras duas edições que caíram no colo deles. A primeira vez que a terra dos Beatles sediou os jogos foi em 1908. A sede seria Roma, mas por conta da erupção do vulcão Vesúvio em 1906, os romanos não tiveram como receber as competições esportivas. O Comitê Olímpico Internacional (COI) procurou os governantes londrinos para saber se eles teriam interesse em assumir o tal “abacaxi”. A resposta foi SIM! Em tempo curtíssimo (20 meses) os organizadores deram conta de sediar um evento que contou com a presença de 2.008 atletas que representaram 22 países. Em valores corrigidos foram gastos a ninharia – comparado aos orçamentos atuais – de R$ 4,6 milhões.

Além da agilidade inglesa na construção de toda estrutura olímpica, outros dois episódios marcaram a edição de 1908 e que por sinal duram até hoje. Foi nesse ano que pela primeira vez um atleta entrou na cerimônia de abertura carregando a bandeira do país da delegação que representava. O outro fato que marcou a 6ª edição dos jogos, e que ainda perdura, é a distância da maratona, até então disputada em 25 milhas. Isso aconteceu quando os organizadores resolveram medir a distância entre largada e entrada do estádio olímpico – local da chegada –, descobriu-se que havia 26 e não 25 milhas. Além disso, por capricho o Rei Edward VII exigiu que a linha de chegada deveria estar posicionada exatamente em frente ao camarote dele. Resultado? A distância fechou em 26 milhas e 385 jardas – esses números convertidos para quilômetros dão os exatos e atuais 42 quilômetros e 195 metros utilizados nas maratonas do nosso tempo.

Já em 1948, a história não foi muito diferente. Helsinque (Finlândia), que seria a cidade sede, sofreu severamente com os ataques da 2ª Guerra Mundial. Adivinha quem outra vez apareceu como a solução para resolver todos os problemas do COI? Tcharan! Acertou quem pensou “LON-DRI-NOS”! É. E novamente a cidade inglesa lançou tendência e acabou sendo copiada por futuras sedes das Olimpíadas. Foi em 1948 que pela primeira vez se construiu uma área coberta para as competições de natação, batizada de Wembley Arena ela foi posicionada ao lado do místico complexo esportivo de tênis. E tem mais pela primeira vez ...voluntários foram convidados para prestar auxílio na organização das provas e na recepção de atletas e turistas. Foi também em 1948 que pela primeira vez uma emissora de TV pagou pelos direitos de transmissão de um evento esportivo – a BBC desembolsou a bagatela de 1.000 libras.

Para a realização do grandioso evento, que reuniu 4.104 de 59 países, em valores corrigidos, foram gastos naquela edição R$ 60 milhões. Se levarmos em consideração que a reforma do Maracanã para a Copa de 2014 nos custará quase R$ 1 bilhão, os ingleses gastaram em 1948 o que hoje seria – em valores proporcionalmente imaginados e corrigidos – uma corrida de táxi de Copacabana (Zona Sul) até a Barra da Tijuca (Zona Oeste). Ah! Detalhe. Mesmo com pouco tempo na preparação da cidade para a realização do evento, os ingleses conseguiram ter lucro um lucro de 29 mil libras. Não é nada, não é nada... é lucro! Não teve prejuízo. Coisa quase impossível de imaginar para RIO 2016.

Por fim chegamos em 2012! Londres será a primeira cidade da história que terá a chance de sediar pela 3ª vez uma edição do hoje chamado Jogos Olímpicos de Verão. É claro que dessa vez haverá um pouco menos de improviso. Afinal, agora a cidade teve - e tem - tempo, dinheiro (foram gastos 9,3 bilhões de libras, valor 430 vezes maior que 1948) e 70 mil voluntários. Eu disse um pouco menos. Pois, dificuldade, jogos olímpicos e Londres é um trio quase inseparável. Dessa vez foi a crise europeia. Ela tratou de dar uma amenizada nos investimentos do governo inglês. Uma das coisas que se fala é que o luxo visto nas instalações de Pequim 2008 não serão tão evidentes aos olhos de turistas e atletas. Mas é claro. London is London, baby!

A título de curiosidade: você sabia que foi em “Londres 1948” que o Brasil conquistou a primeira medalha em esportes coletivos: bronze no basquete masculino – seria um presságio? Deixamos esse assunto para a próxima coluna (pretendo publicar na sexta-feira) quando mergulharemos de cabeça nas possibilidades de medalhas que o Brasil pode conquistar esse ano. Já adianto uma “zebrinha”... o basquete masculino deve conquistar, pelo menos, o bronze. Mas não vai me assustar se conseguir algo ainda maior e mais reluzente. Sim, porque nas Olimpíadas tudo que reluz é ouro!!!!

Hasta luego!





Sábado, 21.07.2012 O clássico conjugal II

No sábado com gosto de lágrimas Cilene decidiu dormir no apartamento da mãe. De jeito nenhum voltaria pra casa naquele fatídico e fúnebre momento. Viu a derrota humilhante do time da Costeira num salão de festas decorado de azul e branco; Beto, o cônjuge rival, reuniu-se com amigos num bar de secadores inveterados. Como encarar o marido? Ela que na outra crônica havia exaltado a garra do Leão, já convicta de que o time o time do Leão-ruge-ruge... estaria na elite do futebol brasileiro; ela que dizia ter chegado ao fim a dominação alvinegra; que os dois, agora, haveriam de ter os mesmos direitos.

- Futebol não é coisa pra mulher ver, minha filha.

- Não? Então por que colocam um monte de homem correndo pelo campo?

Piadinha para disfarçar o nervoso. Nisso o celular toca, é ele, o nefasto marido das bandas do Scarpelli.

- Oi, segundona! Por acaso você viu o Avaí jogar? Ninguém viu, ah! ah! ah!...

- E o teu time, que entrou em campo e não saiu, ficou pastando?! Seu porco chuveirista! (Aqui cabe uma intervenção do teclado pensante: se é chuveirista é porque toma banho; se toma banho não é porco.)

- Como, princesa?

- Seu porco... chau-vinista!

- Como? Aqui no Estreito ninguém fala difícil, ô essa aí! (Celina desliga, na cara)

- Obrigada, mamãe. Tenho que ler mais.

Domingo bem cedo. Celina volta pra casa. Ele, ou o que sobrou dele depois da farra da noite, dorme o sono dos inocentes beberrões.

- Roberto Gonçalves Aranha!

- Hã? Que? Quem é?

- É a segundona. Agora me diz: quem é a primeira, seu verme!

- Primeira? Que primeira? Ah!, a Primeira Divisão? É o Figueira, pô, o Furacão do Estreito.

- Não me venha com desculpas. Aqui não é o Clube dos 13, nem dos 20 pra você fazer o que bem entender.

O que ele entendeu é que a mulher usava de artifícios para não entrar no assunto Avaí Futebol Clube. Para o bem da humanidade daquela casa ele preferiu não entrar em conflito, deixar tudo como se nada tivesse acontecido. Ela também se acalmou, aparentemente. Naquela tarde tinha jogo no Scarpelli, lá foi ele; ela ficou em casa. Quando ele voltou Celina fingia estar dormindo no sofá.

- Uhh!, Figueirense! Uhhh!, Figueirense! Acordei alguém de outras cores?

“Acordou”. Celina decidiu antecipar a decisão:

- Roberto, me escuta bem! De agora em diante, enquanto o Avaí permanecer na Segunda Divisão você vai assistir aos jogos comigo, lá na Ressacada.

- O que? Durante esse tempo todo? Tá maluca?

- E eu vou com você aos jogos do Figueira, assim cada um cede um pouco. Ou isso ou tchau para sempre.

Silêncio... Pausa reflexiva. O casamento em jogo. Resumindo a trágica ópera com pergunta: um alvinegro teria que torcer para o Leão se dar bem e assim chegar à Série A?

- O time vai mexer, vai contratar, né Celina?

(Nota do editor: isso se os dois não morrerem abraçados na série B)





Postado por Jaime Ambrósio às 11:40 | Marcadores: Chauvinista   Costeira   Beberrões  

Terça-feira, 17.07.2012 Zé Carlos é melhor que Eto'o e Sodinha

Você sabe como foram feitos os gols dos artilheiros das Séries A e B? Imagino que não. Por isso, como um bom amante das estatísticas, resolvi fazer esse levantamento.

Começamos pela Segundona do Brasileirão, já que o goleador da competição é jogador de um clube catarinense. É ele... Zé do Gol para os íntimos, do Criciúma, Zé Carlos para os que não tão íntimos. O moço de Maceió, revelado pelo Corinthians de Alagoas, já marcou 13 gols até a 10ª rodada. Hora de destrinçar os dados: 12 desses escores foram feitos dentro da área e apenas um fora dela, sendo que 3 foram de cabeça e outros 10 com a perna direita. Curiosidade: junto com o zagueiro Victor Ramos (Vitória-BA e também namorado de Nicole Bahls), Zé do Gol é o atleta que mais anotou de cabeça na Série B.

Já na elite do futebol nacional temos 2 artilheiros que dividem o posto de “O Matador do Brasileirão”: são os atacante Roger (Ponte Preta) e Alecsandro (Vasco da Gama). Na última partida da Macaca, contra o Coxa, Roger estava em noite “alumiada” e fez 3 gols! Até a 9ª rodada ele balançou as redes 6 vezes, desses 5 foram dentro da área e 1 fora, detalhe: 5 com a perna direita e 1 com a perna esquerda. Já Alecsandro marcou o “sexteto” de tentos com o seguinte repertório: 3 de cabeça e 3 com a perna direita. Em tempo...não há melhor cabeceio na Série A do que o do irmão do Richarlyson, Ricky para os íntimos. Curiosidade: Renato Abreu (Flamengo) fez 4 gols com a canhota e foi quem mais sacudiu o barbante com a perna canhota na Brasileirão.

Não resisto aos números. Resolvi ir mais longe. Vamos dar uma olhadela com mais carinho nos melhores ataques da 1ª e 2ª divisões do Brasileiro.

De novo, começamos pela Série B! Afinal, lá no topo da estatística de gols marcados esta o Tigre. Foram 26 positivos até a 10ª rodada. Esmiuçando: 25 dentro da área e 1 fora da área, sendo 5 de cabeça, 18 com a perna direita e 3 com a perna esquerda. Curiosidade: O América-MG é o time que mais marcou gols de fora da área: 5, sendo 2 de Rodriguinho.

No Brasileirão o melhor ataque é do Botafogo. Dos 20 gols da Estrela Solitária 14 foram marcados dentro da área, 3 de fora da área, 1 de falta e 1 de pênalti, sendo 5 de cabeça, 9 com a perna direita e 6 com a perna esquerda. Curiosidade: Cruzeiro e Flamengo são as equipes que mais fizeram gols em cobrança de penalidades; 3 cada um.

Tá! Mas o que isso tudo quer dizer, “Sêo” Gustavo? Olha... quer dizer 4 coisas:

- O Tigre tem o melhor ataque de todas as divisões do Brasileirão;

- Zé Carlos e Victor Ramos combinam na bola aérea, menos na paquera;

- Flamengo faz jus à alcunha de “O Mais Querido do Brasil”;

- ÔôÔôôÔô Zé do gol é melhor que Roger, Alecsandro e Eto’o

Ih, rapaz! Quase esqueci. Hoje é aniversário do atacante do Ceará Sodinha (Diogo Monteiro). O atleta completa nesta terça-feira 24 anos. Parabéns para ele. Ou melhor, parabéns ao pai dele. Esse sim é Soda!





Sábado, 14.07.2012 O clássico conjugal


Chegou em casa e “percebeu” que a mulher havia cortado o cabelo.

- Humm! Milagre! - Ela, estranhando.

Depois mordiscou sua orelha (a orelha dela, óbvio) como há muito tempo não mordiscava.

- Roberto Gonçalves Aranha!... Você tem outra!
- Como?
- Só pode. Todo homem que trai a mulher sente um certo remorso, começa alisar a esposa como no início do relacionamento. É a prova do crime. Ai!, vocês não prestam mesmo! Abaixo vocês!
- Pára de ver novela, Cilene!
- ... Ou então você quer alguma coisa (AGORA?).
- Vou tomar um banho. Ah, o pessoal me convidou pra ver o jogo do Figueira lá num bar, só que fica um pouco longe.
- Então é isso! Santa ingenuidade a minha! Posso ir junto, “gavião”?
- Pode, claro (NÃO PODE!).
- Você sabe que eu de-tes-to futebol. Mas por que você não assiste o Figueirinha aqui em casa?
- Olha o respeito, Cilene!... Porque é no “pay-per-view”, tem que pagar (NÃO NADA DISSO).
- Tudo bem, Beto, mas eu tô de olho, eu marco em cima. Vê se não pisa na bola. E não desliga o celular que eu fico uma arara.

Corte. Exterior. Roberto pega o carro na garagem, esfrega as mãos, naquele gesto característico de contentamento e esperteza, e vai ao encontro dos amigos. Do rádio vem uma trilha sonora festiva, pagode. Ele cantarola, batucando no volante.

Meia hora depois Cilene liga.

- “Olha aqui, Beto, seu cafajeste! (AI, QUE ÓDIO!), acabei de ver na televisão, meio por acaso, que o teu Figueira de uma figa joga amanhã, a-ma-nhã...”

- “Amanhã? De novo?... (CARÁCOLA! E AGORA?) Deve, deve ser alguma partida atrasada, então. E ainda dizem que jogador de futebol tem vida mansa... Chuta, estepor! Desculpa, querida, quase deu um gol de novo.”

Celina desliga, na cara. Roberto, em close-up, fica preocupado. Mas está na festa, tem que dançar. O plano se abre.

Corte. A música diminui, cessa. Interior. Celina espera Roberto, está na sala vestida com uma camisa... do Avaí.

- Celina, o que é isso?
- Isso, querido, sou eu, de azul e branco.
- Mas o que significa essa palhaçada?
- Significa que agora eu sou uma torcedora, adoro futebol, amo a Costeira, vou gritar da arquibancada feito uma louca. Meu querido, os tempos são outros. Chega de segunda divisão, segundo plano, segundas intenções. Vamos ficar no mesmo nível. Me aguarda, Robertinho!

É a típica crônica com final inacabado. Talvez seja importante uma segunda parte.










Postado por Jaime Ambrósio às 11:40 | Marcadores: Gaviões   Carácola   Estepor  

Sexta-feira, 13.07.2012 Que assim seja CRB e Avaí!

Hello, queridos leitores! Tenho respondido nas últimas semanas muitos tweets que têm mais ou menos o seguinte teor: “Gustavo, você não acha que as estatísticas são algo muito frágil para traduzir a atuação de um jogador ou de um time?”. Ao refutar sou simples e direto: “Não. Não concordo.”. Me resumo a afirmar isso pois é muito complicado querer convencer alguém, ou provar alguma teoria tão complexa e polêmica, em míseros 140 caracteres (limite de postagem do microblog). Pois bem. Já que agora fui agraciado com esse espaço, vamos “devanear” sobre as estatísticas de uma forma diferente. Devanearemos sobre como os números falam a verdade. Como faremos isso? Simples – nem tanto por conta do tamanho da pesquisa.

A ideia é desenhar como será o jogo CRB x Avaí com base nos “milhões” de números coletados sobre as duas equipes. Depois de fazer essa psicografia a La Chico Xavier vou, inclusive, sugerir um placar. Porém, peço para que entendam que o tal pitaco nada mais é que um baita chute. Gostaria que vocês levassem em consideração as situações e detalhes de jogo que serão descritas a seguir. Vamos lá?

Raio-X do CRB na Série B:
- 2ª equipe com pior aproveitamento no lançamentos;
- 4ª com pior aproveitamento nos dribles;
- 4ª que mais recebe faltas;
- 2ª com mais impedimentos assinalados;
- pior defesa com 18 gols sofridos;
- 2º time com mais cartões amarelos (30);
- 2º com mais cartões vermelhos (4)

Raio-X do Avaí na Série B:
- time com mais passes certos (2.758);
- 6º time com menos chutes certos (45);
- 4º time com mais dribles certos (105);
- equipe líder no quesito bolas perdidas (379);
- com 22,8 desarmes por jogo é líder, também, nos desarmes certos

Psicografia “numerológica”:

Ok! Agora o bixo vai pegar. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Chegou a hora da verdade. Comecemos pelo início, diria um colega.

Vamos construir o cenário do embate do esporte bretão a ser analisado. O estádio Rei Pelé tem média de 4.647 torcedores por jogo. Na última partida em casa, contra o América de Natal, 4.004 alagoanos foram dar uma força à equipe. E os “Argonautas”, como são conhecidos os fanáticos pelo clube de Maceió, não saíram decepcionados do estádio. Afinal, conseguiram uma vitória (4 a 2) sobre o América de Natal. O melhor público registrado nessa segundona do Brasileirão foi contra o Bragantino. Quando 7.277 espectadores foram ao “Majestoso” e presenciaram a derrota dos donos da casa por 2 a 0 para os paulistas. Para o jogo desse domingo a principal estrela do time, o atacante Aloísio Chulapa, está confirmada. No banco. Mas esta. Ao entrar no decorrer do jogo será o primeira partida dele na Série B. Levando em consideração essas informações concluo que não devemos ter um público inferior a 6 mil torcedores. Arrisco dizer que o Rei Pelé receberá o maior público registrado até aqui nesse campeonato.

Times (quase) definidos! O CRB vai (deve ir) a campo com: Cristiano; Luiz Felipe, Rogélio, Thiago Gomes e Jadilson; Gercimar, Roberto Lopes, Geovani e Elsinho; Edson e Ricardinho. Já o adversário, o Avaí, está assim (creio eu) definido pelo técnico Hémerson Maria: Diego; Patrick, Cássio, Leandro Silva, Pirão; Bruno, Mika, Cléber Santana, Jefferson Maranhão; Acosta e Nunes.

Apita o juiz! Os donos da casa buscam atacar sempre pelo esquerdo de campo. Ora com o lateral esquerdo Jadílson, ora com o meia Geovani. Os chutes, na maioria das vezes, saem de fora da área. Assim o clube alagoano já tentou 57 vezes marcar gols na 2ª Divisão Nacional. Desses 57 chutes de longa distância 11 (3 certos / 8 errados) foram dados por Jadilson e outros 10 (3 certos, 7 errados) por Geovani. A dupla “Já-Ge” – terrível, essa – é a responsável pelas cobranças de falta dos Argonautas. O meia Paulo Victor, não escalado entre os titulares, é outro que cobra faltas. Só para se ter uma ideia, das 13 cobranças, 9 saíram dos pés desses três jogadores. Porém, somente PV fez gol (1) dessa forma. Mas é pelo esquerdo que eles insistem, mesmo. Até aqui, nesse campeonato, foram 132 arremates para o gol sendo 27,1% deles feitos pela parte canhota do campo. Isso não representa absolutamente nada? Aí que você se engana! Esses mesmos 27,1% é o maior indíce de finalizações da Série B nessa faixa do campo. Porém, pelo lado direito tem o lateral Elsinho que, aliás, é outro jogador que adora “bater” contra o gol adversário. Tanto que já marcou 2 gols nessa Segundona. Ele já chutou 14 vezes, sendo 7 de fora da área (1 certo, 6 errados). Olha lá quem esta vindo com a bola dominada, minha gente! O canhoto Geovani. Ele vai arriscar. Cuidado! Ele chuta e.... (só Deus sabe). Mas a defesa azurra, líder em desarmes, já notou essa característica dos donos da casa. Hémerson Maria corrigiu o posicionamento do time e colocou o volante Bruno para abafar os chutes de longa distância. Também precavido dessa situação, Maria adiantou o posicionamento dos zagueiros. Ele sabe que pode ser fatal se a defesa dele cochilar no lado esquerdo ou ficar “pagando” chutes de fora da área. Com uma defesa bem postada e com constantes subidas do lateral esquerdo adversário, Cléber Santana se aproveita dessa avenida e começa a “deitar e rolar” na casa do adversário. O velocista Patrick começa a deixar a defesa do CRB confusa. Defesa que adora um cartãozinho amarelo e que já teve 4 jogadores expulsos no campeonato. Falta para o Leão da Ilha! Cléber Santana, que já cobrou 9 faltas pelos azurras, se posiciona para tentar e.... (só Deus sabe). De fora área também tenta o Avaí. E claro, com ele... Cléber Santana arrisca e... (só Deus sabe). Entre todos os atletas que disputam a divisão de acesso da elite do Brasileirão, o maestro do meio campo avaiano, é o 2º jogador que mais chutou a gol de longa distância. Foram 18 arremates atrás da risca da grande área (7 certos e 11 errados). Só para constar: quem mais chutou de fora da área foi Marcelinho Paraíba do Grêmio Barueri. Apita o juizão, fim de partida! O placar final foi... (só Deus sabe).

Acho que nem seria preciso dizer isso, mas faço questão de deixar claro que a história narrada acima é hipotética. Em contrapartida, para tentar mostrar aos meus leitores que os números falam, essas são situações que eu posso afirmar com todas as letras: vão acontecer durante o jogo CRB e Avaí! Aí você vai dizer: “mas é claro que essas coisas vão acontecer... Que time não chuta de fora da área? Que time não cobra falta? Que time não faz falta? Que time não ataca pela esquerda? Que time não joga nos espaços deixados pelo adversário? Que time?”. Minha resposta? Você sabe isso tudo porque os números disseram o estilo de jogo dos Alagoanos. Fiz questão de focar mais no time de Maceió pois seria mais fácil falar sobre o Leão da Ilha.

Por isso que futebol é apaixonante. É apaixonante só porque Deus sabe o que pode acontecer. É o esporte mais imprevisível de todos, sem dúvidas. Porém, com a ajuda da tecnologia e dos números é possível saber as características de cada jogador e, principalmente, o estilo de jogo de cada time. Isso ajuda tanto o Avaí, quanto o CRB, e faz igual para um jornalista esportivo apaixonado pelas estatísticas.

Ah! Já tinha esquecido. Meu palpite de placar? Isso sim é hipotético. Mas vamos lá! 1 a 0 Avaí, gol de Cléber Santana. Detalhe... numa cobrança de falta.

Até a próxima!





Quarta-feira, 11.07.2012 Locomania uruguaia

Olha essa torcida do Figueira: nossa repórter Simone Malagoli achou no Youtube "La Cumbia Del Loco".

Para quem não sabe, esse é um ritmo muito conhecido nos países hispânicos da América Latina. Enquanto a maioria dos boleiros brasileiros curte o pagode, a trilha sonora preferida dos jogadores argentinos, paraguaios, colombianos, uruguaios e mexicanos é essa tal de cumbia.

Vou confessar... me gusta la cumbia un momento u otro! Sempre tem uma tocando no meu playlist. Essa, com certeza, vai no playlist da galera alvinegra.

Abaixo esta a letra. Divirtam-se e entrem no clima da estreia de Loco Abreu pelo Figueirense.

La Cumbia Del Loco
Carlos Javier

Foi na ciudad de Minas
onde tudo começou
brincando com os amigos, a ilusão de ser campeão
E dale, dale, Loco, se escutou na capital
Este é o novo som que todo mundo já cantou

La cumbia del Loco
Vamos para cima Uruguai
é a cumbia nacional es
la cumbia del Loco

Argentinos, mexicanos já cantaram sua canção el loco é o melhor porque tem coração
outro dia os veremos novamente no uruguai
Usando a numero 13 com a camisa nacional

Este é o novo som que todo
mundo já cantou
La cumbia del Loco
chegou para abalar
quem vai segurar
La cumbia del Loco

Terra do futebol, do samba e do Carnaval
Loco faz o gol para todo mundo comemorar
E dale, dale, Loco, a torcida invadiu
Este é o novo som que todo mundo já cantou

La cumbia del Loco
chegou para abalar
quem vai segurar
La cumbia del Loco

Eu já tô ficando louco vendo onde que vou jogar
na minha cabeça eu só penso em ganhar
E dale, dale, Loco, a torcida invadiu
Este é o novo som que todo mundo já cantou

La cumbia del Loco
chegou para abalar
quem vai segurar
La cumbia del Loco





Sábado, 07.07.2012 A fuga da ovelha


Zé da rede ia casar a filha Bernarda. A festa não seria grande, mas seria uma festa. Sem peixes e frutos do mar, que isso todo mundo comia a toda hora. O homem prometeu carne de ovelha e de porco. O compadre dele, Aristides dos Anjos, iria lhe dar uma ovelha bem pesada e um leitão por conta de uma antiga dívida. Na véspera Zé da Rede, assim meio sem jeito, pediu que Antônio lhe emprestasse a Encarnada (caminhoneta vermelha que era pau pra toda obra) para poder buscar os animais. Antônio lhe deu a chave e ficou para fazer uma arrumação na casa. Zé da Rede levou junto o Pedro Dionísio, futuro genro, que sabia dirigir e tinha carteira. Quando voltaram e foram descarregar os bichos da carroceria tiveram a grande surpresa: só estava lá o porco, que grunhia alto porque desconfiava da morte.

- Ó-lhó-lhó!
- Inda agorinha a bicha tava aí encima, bem atada pelo pescoço.
- Visse direito?
- Pois intão?!
- Deve de ter saltado na descida do perau, que solavanco ali não falta.
- O jeito, agora, é percurá por aí...
Lá foram eles, uma dúzia de homens, em busca da carneira fugida. Um pra cada lado, dois em dois, todos embrenhados no mato rasteiro, encosta de morro. Nada do animal, sequer um balir rouco, um “mééé” alongado de bicho perdido. Desistiram depois de uma hora e meia de procura e muitas gargalhadas. Zé da Rede, que não ria, blasfemava, reforçando ainda mais o clima divertido daquela pequena aventura. Mas Antônio o tranqüilizou: iria comprar alguns quilos de costela de boi e outros de lingüiça. Carne não faltaria.

E assim se fez... Mas no meio da comilança ela apareceu. Tinha um toco de corda pendurado no pescoço e berrava de fome. Zé da Rede pulou sobre a fugitiva, disposto a carneá-la ali mesmo. Mas a filha casada o impediu. O animal não podia ser sacrificado, aquilo era um sinal de Deus e daria sorte no casamento. Assim falou Bernarda, e o pai concordou, evitando o rasgo de faca na jugular do bicho. A ovelha comeu uma generosa refeição e ainda ganhou o nome de... Aparecida.





Postado por Jaime Ambrósio às 21:34 | Marcadores: Ó-lhó-lhó   Percurá  

Sexta-feira, 06.07.2012 Loco vem? Então, volta para o 4-2-3-1, Argel!

Hello, queridos leitores! Semana agitada no futebol catarinense. Tudo graças à novela que envolveu a participação de Loco Abreu e os dirigentes do Figueirense. Nunca havia visto antes, aqui em Santa Catarina, uma negociação tão morosa para ser oficializada. E não poderia ser diferente. Mesmo com o “ok” do atacante uruguaio dado no último domingo, quando a questão salarial e o esboço do contrato de 2 anos foi definido, o que se viu foi um imbróglio que girou em torno das especulações e nada mais.

Sebástian Abreu é um homem de personalidade forte. Mostrou isso pelos clubes que passou e também na negociação com o Furacão do Estreito. Jornalista por formação e jogador por vocação, Loco teve o ápice de demonstração da personalidade dele na “La Cavadita”. Foi nesse episódio que o fez se tornar uma das estrelas da Copa do Mundo de 2010, naquele pênalti cobrado contra Gana, nas quartas de final do mundial.

Loco é – ou era, Seedorf tá nas áreas, brother - hoje o maior ídolo do Botafogo. O que fez ele deixar o clube carioca foi o sistema tático adotado pelo treinador Oswaldo de Oliveira, o moderno – e eficiente – esquema de jogo 4-2-3-1. Nessa formação Sebastian era o número 1. Centroavante isolado, certo? Não. Errado. Para o comandante de General Severiano Abreu deveria fazer uma flutuação que funcionaria da seguinte forma: saída em diagonal de dentro para fora área, no lado oposto onde estivesse a bola. Além disso, o uruguaio teria de se contentar pelos dois extremas, da esquerda e da direita, na linha de 3 formada no meio, jogassem com o “pé invertido”. Ou seja, o jogador da direita era canhoto e o da esquerda era destro. Essa formatação servia para que os falsos meias entrassem pela diagonal em direção ao gol adversário. Aí entrava a movimentação exigida por Oswaldo de Oliveira. No complemento da jogada Sebástian tinha que sair da área, pelo lado inverso do jogador que vinha em diagonal em direção ao gol, para abrir espaço. Exemplo: Élkeson (destro) vinha pela esquerda com bola dominada, Sebástian saia em diagonal pela direita e abria o corredor para a passagem do meio de origem.

Numa entrevista dada, esta semana, para a rádio 890 Sports do Uruguai Loco falou não ter problema para jogar no 4-2-3-1. Desde que os “extremas” joguem como manda o figurino. Como é o tal figurino? Quem atua pelo lado direito tem que ser destro e o do lado esquerdo joga com a perna esquerda. Assim, bolas são facilmente cruzadas para dentro da área e quem esta lá?! Tcharan! Ele, El Loco! Pronto para cutucar “la pelota”no alto dos seus 1,93m de altura. E querem saber? Acho que Sebástian esta certo. Jogar num esquema que não lhe favorece para quê? Para jogar mal e ser cobrado pela torcida? Vou mais longe. Com essa atitude Abreu mostra que, além de ter uma personalidade forte, é um atleta que pensa no coletivo. Afinal, se Loco diz que não se sente bem em determinado esquema e prefere ficar de fora é porque ele esta pensando no resultado final.

Ok. Mas onde quero chegar com isso? Lembram da atuação intensa tanto na parte defensiva como na parte ofensiva que o Figueirense teve na derrota de 1 a 0 para o Cruzeiro? Nessa partida o Furacão jogou num 4-2-3-1 que funcionou quase de forma perfeita. Para ser perfeito faltou, ao menos, a vitória. Nem precisava – mas poderia – ser de goleada. E sabe-se lá por que cargas d’água Argel mudou o esquema. Foi para um 4-4-2 no jogo seguinte contra o Bahia (1x1) e repetiu isso contra o Palmeiras (3x1, Palestra).

Falar por falar que o Figueira joga melhor num 4-2-3-1 do que no 4-4-2 é fácil, né? Vamos então as provas. Vamos a eles.... os números, minha gente! Nossa. Como eles ajudam.

Vamos começar com as finalizações – resume as chances criadas e o volume de jogo: no jogo contra o Cruzeiro (4-2-3-1) o Figueira deu 18 chutes a gol. Já na partida contra o Palmeiras (4-4-2) foram somente 7 arremates;

Desarmes – mostra que o clube ocupa bem o espaço na defesa: em Belo Horizonte, com o Cruzeiro foram 138 desarmes. Na Arena Barueri foram 40 desarmes a menos, 97;

Dribles – aponta um time mais ofensivo: contra a Raposa foram 18. Contra o Porco 11;

Faltas recebidas – resume um adversário que chegava atrasado: Na Arena Independência foram 30. Em Barueri foram 12;

Passes – representa posse de bola: contra os cruzeirenses foram 217. Contra os palmeirenses foram 183.

Tá! Assim como Argel Fucks vai dizer que você ainda tem dúvidas se 4-2-3-1 é, para o Figueirense, melhor que o 4-4-2? Vamos então analisar o desempenho de Júlio César nesses 2 jogos. Contra o Cruzeiro JC finalizou 6 vezes contra o gol Fábio. Já contra o Palmeiras foram apenas dois chutes. Além disso, na linha de 3 que formou no meio campo alvinegro o atacante que jogou pelo lado esquerdo de campo – como gosta Abreu – conseguiu 4 desarmes. Já na linha de 2 contra o Palestra, Júlio César roubou apenas uma bola. Peguei o exemplo de apenas 1 jogador, caso contrário esse “pequeno” texto se tornaria ainda maior.

Então, fica aqui registrado o esquema de jogo que melhor se encaixa com Loco Abreu no Figueirense. Argel, nem pensa “mô quiridu”. Você mexeu no que estava certo. Volta para o 4-2-3-1. Com Loco o esquema ainda fica melhor. Ah! Queres saber a minha sugestão escalação nesse esquema? É essa, ó: Wilson, Pablo, Canuto, Anderson Conceição e Guilherme Santos; Doriva e Túlio; Júlio César, Almir, Ronny; Loco Abreu.

Números e curiosidades de Loco Abreu

- Atuou em 18 clubes de 5 países diferentes, entre eles Aris da Grécia e Beiter Jerusalem de Israel;
- Em 2012 disputou 19 jogos sendo 15 pelo Campeonato Carioca, 2 pela Copa do Brasil e 2 pelo Brasileirão;
- Com 11 gols foi vice-artilheiro do Campeonato Carioca 2012. Alecsandro (Vasco) e Somália (Nova Iguaçu), ambos com 12 gols, foram os artilheros da competição;
- Com 25 finalizações certas foi o jogador que mais acertou chutes a gol no Campeonato Carioca de 2012;
- O último gol foi em 29 de abril, na vitória do Bota de 3 a 1 sobre o Vasco pelo Carioca. Na oportunidade Abreu marcou duas vezes;
- Loco foi titular nos 2 jogos disputados no Brasileirão 2012. De 180 minutos possíveis jogou 105, deu 3 chutes e 16 passes – 12 certos e 6 errados, um aproveitamento de 75%;
- Nos últimos dois Brasileirões jogados pela “Estrela Solitária” ele foi o artilheiro do time com 11 (2010) e 13 (2011) gols;
- O último jogo foi em 24 de junho, na derrota do Fogão em casa para a Ponte Preta no Engenhão, por 2 a 1;
- Disputou as Copas do Mundo de 2002 (Japão e Koréia) e 2010 (África do Sul);
- Foi campeão da Copa América de 2011.

ps. Sem querer polemizar, já polemizando... você sabia, torcedor do Figueira, que Loco Abreu joga com uma camisa azul por baixo da "vestimenta" de jogo? Além disso, ele usa uma braçadeira nas cores da bandeira do Uruguai. Algum problema? Comentem. Ah! A camiseta azul é em homenagem ao Nacional (URU), clube que ele se diz torcedor.




Loco e a braçadeira de 'La Celeste'
Loco e a segunda pele. Será que o escudo do Figueira vai ganhar um espaço nela?

Postado por Gustavo Bossle às 17:55 | Marcadores: Loco Abreu  

Terça-feira, 03.07.2012 Transitornos: procurando vaga, para o carro

O fim da humanidade não é o terrorismo internacional, nem são as guerras cíclicas inventadas, é o trânsito. Logo haverá mais automóveis do que pessoas nas ruas, será o caos absoluto, o grande apocalipse. Assim matutava o profeta ilhéu Sebastião José da Silva, enquanto tentava estacionar o seu carro. Não havia vaga, naquele momento, na Zona Azul, nem na Branca, em zona nenhuma. E ele só precisava ir até o quinto andar daquele edifício ali, entregar uns papéis para o advogado, coisa rápida. Então, depois de contornar o quarteirão várias vezes, finalmente viu um lugarzinho em frente à farmácia. Estacionou, conferiu se todas as portas estavam trancadas e virou as costas. Mas uma voz rápida e grossa o atingiu em cheio nos tímpanos. Era o homem da farmácia, que usava jaleco branco mas não tinha cacoete nem sensibilidade de farmacêutico. Alegava que ele, Sebastião, não podia deixar o carro ali, que o local era para os clientes, não viu a placa? Desculpa, mas é rapidinho, só vou entregar uns documentos naquele prédio, argumentou o inconformado motorista. De jeito nenhum, e se aparecer um cliente e quiser estacionar? E se o cliente desistir da farmácia por falta de vaga? Cadê o meu lucro?

E a discussão prosseguiu nesse tom, meio acinzentado, durante uns dez minutos (Sebastião só iria demorar cinco). O homem da farmácia ameaçou com o guincho, que olhasse a placa. O mundo não é bom, Sebastião! Sempre nessas situações de confronto ele ficava, rapidamente, com dor de cabeça.Parou de falar por três segundos: estava encontrada a solução.

- Pois me diga! O que é preciso para ser cliente?

- Que o senhor compre alguma coisa na farmácia.

- Está certo. Me traga dois analgésicos, de preferência genéricos, e um copo de água.

Tomou os comprimidos de uma só vez e seguiu, enfim, na direção do edifício. O dono da farmácia ainda tentou articular uma frase, mas não teve argumentação suficiente na ponta da língua.





Postado por Jaime Ambrósio às 10:17 | Marcadores: Matutava   Cíclicas   \ona Azul  

Domingo, 01.07.2012 A culpa não é de Pablo e sim do time

Olá, leitores! Cá estamos nós pela segunda vez nesse espaço para escrever sobre números e estatísticas. Dessa vez, o clube a ser “objeto de estudo” dessa nossa profunda – mas não modorrenta - análise é o Figueirense. Antes de passar aquela “penca” de números, dois dados interessantes – e animadores – para serem destacados: 1) com média de 15,5 chutes por jogo, o Furacão é o time que mais finaliza no Brasileirão. 2) assim como no ano passado, quando terminou como líder nessa estatística, Júlio César é o atleta que mais chuta na competição. O atacante alvinegro tem uma média de 4,7 finalizações por partida.

Confesso! Não resisto aos números. A ansiedade para escrever um outro dado interessante é grande: nas últimas 3 partidas (empate, derrota e empate) o Alvinegro do Estreito teve pela frente 3 goleiros que estão entre o TOP 10 do Brasileirão no quesito “Defesas por Jogo”: 3º Édson Bastos (Ponte Preta), com média de 4,3 defesas por jogo; 6º Fábio (Cruzeiro), com média de 4 defesas por jogo; 8º Marcelo Lomba (Bahia), com média de 3,8 defesas por jogo. Vale dizer que nessas 3 últimas partidas esses atletas referidos anteriormente tiveram atuação destacada pelos clubes que, literalmente, defendem. Bastos foi, inclusive, eleito pela equipe Futebol Show da BAND FM como o “Bam Bam Bam” da partida que terminou empatada em 1 a 1.

Gente, agora é sério! Vou passar um último dado curioso antes de entrarmos de cabeça nos números do Alvinegro. Olhem essa: o jogador que mais cometeu faltas na elite do futebol nacional foi o atacante cruzeirense Wellington Paulista. Foram 24 faltas em 6 jogos. Uma média de 4 faltas cometidas por partida. Troféu “Aí não dá né Ow!” para ele! Atacante liderar estatística de falta cometida é primeira vez que eu vejo. Problema para Celso Roth e a comissão técnica da raposa resolverem. Gols – belíssimos, diga-se – Wellington tem feito. Falta só colocar a cabeça no lugar para conseguir voos mais altos na carreira.

Vamos aos outros números? Primeiro darei os números do Figueirense FC – comparado aos outros 19 clubes da Série A 2012 – , em seguida passarei os destaques estatísticos de alguns atletas, e na sequencia faço uma rápida análise (todos os dados foram computados até a 6ª rodada):

- Finalizações: 1º Figueirense, média de 15,5 chutes por jogo;

- Passes certos: 10º Figueirense, média de 81,8% de acertos (1º Internacional –
85,7%);

- Faltas recebidas: 3º Figueirense, média de 22,7 faltas sofridas por jogo (1º Náutico – 25,7 faltas);

- Faltas cometidas: 4º Figueirense, média de 21,7 faltas cometidas por jogo (1º Cruzeiro – 25,3 faltas);

- Dribles (certos e errados): 6º Figueirense, média de 12 dribles por jogo (1º São Paulo – 15,5 dribles);

- Desarmes: 15º Figueirense, média de 105,5 por jogo (1º Palmeiras – 137 desarmes);

- Defesas do Goleiro: 8º Figueirense, média de 3,5 defesas por jogo (1º Portuguesa – 4,8 defesas);

- Cartões: 4º Figueirense, total de 17 sendo 15 amarelos e 2 vermelhos (1º Cruzeiro – 21 no total);

- Bolas perdidas: 9º Figueirense, média de 34 por jogo (1º Palmeiras – 45,7 bolas perdidas).

Jogadores do Figueirense FC no Brasileirão 2012:

- Melhores passadores: 7º Ygor, 242 passes certos (1º Denilson {São Paulo} – 278 acertos);

- Troféu “Chu-chuveirinho”: 2º Pablo, 8 cruzamentos certos (1º Luis Ricardo {Portuguesa} – 10 acertos);

- Troféu “Chu-chuveirinho queimado”: 10º Pablo, 18 cruzamentos errados (1º Luís Ricardo {Portuguesa} – 31 erros);

- Ladrões: 2º Pablo, 24 desarmes certos (1º Rivaldo {Sport} – 31 acertos);

- Os mais caçados: 3º Túlio, 21 faltas recebidas - 6º Caio, 20 faltas recebidas - 8º Roni, 18 faltas recebidas (1º Renê, Ponte Preta - 26).

Muuuuito bem, diria um comendador do esporte catarinense. Vamos tentar traduzir o que os números dizem. O fato de ser o time que mais chuta, e ter encontrado nas últimas 3 partidas 3 dos 10 melhores goleiros da competição, querem dizer que nem tudo está tão desesperador como parte da torcida do Figueira tem retratado. Nas partidas contra Ponte Preta (empate), Cruzeiro (derrota) e Bahia (empate) várias chances foram criadas. Porém, pela frente dos atacantes do Furacão existiam goleiros inspiradíssimos. Preocupante seria se o Figueirense fosse o time que menos chutasse a gol. Outra estatística que, obviamente, já é de conhecimento do técnico Argel Fucks e pode ajudá-lo a conquistar pontos preciosos, naqueles famosos jogos em que são definidos num detalhe: o Alvinegro é o 3º time que mais sofre faltas na Série A. Sendo que, não obstante – adoro essa “junção” kkkk – entre os 10 atletas mais caçados no Brasileirão, 3 são do time de Florianópolis: Túlio, Ronny e Caio. Se souber tirar proveito disso, a bola parada, que na maioria das vezes sai dos pés de Júlio César, pode se tornar uma arma muito poderosa. Melhor ainda se um atacante com boa estatura pudesse aproveitar a “pelota” que vem por cima. Bem, cheguei no ponto em que eu queria. Vamos falar de Pablo? Calma, calma. “Migo”. Calminha. Pois bem, SE – repito – SE o Figueirense tivesse um centroavante grandalhão, com presença de área e bom cabeceio, para atuar no bom esquema 4-2-3-1, não tenho dúvidas que o relacionamento entre Pablo e torcedor do Figueirense seria outro. Sabe por quê? As estatísticas apontam o lateral alvinegro como o 2º jogador que mais acertou cruzamentos, e o 2º que mais desarmou. Quais as principais funções de um defensor que vai até a linha de fundo do ataque adversário? Exatamente essas em que Pablo aparece em ambas na 2ª posição: cruzar e desarmar. Tirar Pablo do time é correto? Sim. É. Argel faz isso para preservá-lo. Mas a partir do momento em que o Furacão conseguir esse camisa 9, a tendência é que Pablo volte a ser utilizado. Resumindo: Pablo é contestado por não ter dentro da área alguém que combine com as características dele. Bruno Vieira e Juninho, que nunca se destacaram pelos cruzamentos, têm a característica que combinava com o ataque do Figueira de 2011 e o de 2012. Ataque formado por atacantes que jogam melhor de frente para o zagueiro, buscando o drible, e que assim permitem a entrada dos laterais em diagonal driblando os adversários. Aliás, Pablo é lateral e ponto. O Figueirense de hoje pede alas. Por isso Guilherme Santos, que tem bom drible, se dá melhor nesse esquema. Por isso que Bruno e Juninho se davam bem, já que Jorginho optava por um falso 4-4-2. Nessa falsa linha defensiva com 4 jogadores os volantes fechavam a subida ou de Bruno ou de Juninho. E, claro, nunca nenhum dos 2 subiam juntos. Era um no ataque e outro compondo a defesa com um dos volantes.

Olho neles: Essa estatística é impressionante, mesmo. Dos 10 jogadores que mais recebem bolas na Série A 2012, os 5 primeiros são do Internacional. São eles: Oscar (média de 46,3 bolas recebidas por jogo), Dátolo (média de 44,7), Guiñazu (média de 44,5), D’Alessandro (média de 40,7) e Fabrício (média de 38,6). Junte isso ao fato do Colorado Gaúcho com 85,7% ser a equipe com melhor aproveitamento nos passes desse Brasileirão e já temos um sério candidato ao simbólico título do turno da principal competição nacional de 2012.





Postado por Gustavo Bossle às 00:29 | Marcadores: Bruno Silva   Avaí   Série B   Gustavo Bossle  

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