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Terça-feira, 20.11.2012 AS PIADAS DE NINGUÉM


- Quem é que inventa as piadas? – lascou o filho do vizinho da frente, menino inoportuno que só abria a boca pra perguntar coisas desse tipo. Respondi que ninguém, melhor, milhares, milhões de “ninguéns”. Pois é, e agora pergunto eu: Por que a maioria das piadas não tem dono? Tem aquela do papagaio, a do português, a da loira burra, a do Pedrinho, etc. Mas todas bastardas, sem pai nem mãe. É claro que, em sendo assim, muitos humoristas (folgados que são) se apropriam delas como se as mesmas fossem deles. E tem os piadistas que trocam os personagens, dizendo que tal história aconteceu com um fulano conhecido, um sicrano “amigo”.

Houve uma vez (no recentíssimo século passado) um prefeito folclórico cujo nome era, digamos, Mano Oliveira. Por ser um tanto (e põe um tanto nisso) simplório no falar, sem nenhuma intimidade com a gramática culta, passaram a imputar-lhe toda e qualquer piada avulsa. Sabe a última do Mano Oliveira? Então soltavam o verbo e a graça. Só para se ter uma idéia, ou duas:

Mano Oliveira precisava asfaltar uma certa rua, a pedido de uma pessoa próxima. Seriam cinco ou seis caçambas de material, mas os recursos estavam escassos, as prioridades eram outras. Então o jeito foi procurar o governador, que atendeu a tal solicitação, mas pediu ao prefeito para “não espalhar”. Alguns dias depois, ao passar pela referida rua, o governador estranhou aquele monte de asfalto endurecido, que a garotada usava para brincar de subir e descer. Então ligou para o prefeito e perguntou o que havia acontecido ali. Mano Oliveira respondeu que agiu de acordo com a orientação dele: não espalhou nada.

Outra. O prefeito foi fazer a sua primeira viagem de helicóptero. Um pouco assustado, e meio zonzo por causa do barulho, olhou para fora e observou, em voz alta, que as pessoas, lá embaixo, pareciam formigas de tão pequenas. O piloto, então, informou que de fato eram formigas, pois o helicóptero ainda não havia decolado.

Ocorre que recentemente eu lia o livro “Gol de padre e outras crônicas”, do Sérgio Porto, ou melhor, Stanislaw Ponte Preta, quando me deparei com essa mesma anedota. Estava lá, bem no final da história “A estranha passageira”. Adulteraram a piada do Stanislaw!, trocaram uma velhinha, passageira de primeira viagem, pelo prefeito Mano Oliveira. O importante, nisso tudo, é dar boas risadas.

Mas tem piadas e também piadas. O filho do vizinho, aquele mesmo do início, se aproximou de novo pra perguntar se eu sabia “por que é que a galinha atravessa a estrada”. Respondi sei lá, pra se encontrar com o galo. Ele rebateu, dizendo que a galinha atravessa a estrada pra chegar no outro lado, só isso.

- Tem graça, ô pivete?

- Não sei. Mas é de graça. Ah! Ah! Ah!

Quer dizer: é melhor rir, mesmo na falta de graça, do que simplesmente não rir.





Postado por Jaime Ambrósio às 14:05 | Marcadores: Folclórico   Zonzo   Lascou  

Segunda-feira, 19.11.2012 Dois irmãos

Entra na biblioteca como quem entra na farmácia apressado.

- Você tem Dois Irmãos, querida?
- Tenho três, por quê?
- Não, desculpa! Tô falando daquele livro do vestibular, Dois Irmãos, sabe qual é, né?
- Sei, claro, mas tão todos emprestados.
- Todos?
- Na verdade são cinco.
- Cinco Irmãos?
- Cinco exemplares.
- Ah, sim!
- Mas não param aqui, um talvez voltem amanhã.

Ali começou a confusão. Ele era apenas um pai esforçado que fizera carteirinha na biblioteca pública, que pegava livros de aventura para si e os do vestibular para a filha, que só pensava em estudar, de vez em quando. Voltou no dia seguinte, um tanto preocupado, afinal faltava apenas aquele livro pra Neuzinha ler e se não o encontrasse na biblioteca seria obrigado a comprá-lo na livraria, pois o vestibular estava chegando. Mas comprar livro, Presidente, não é coisa fácil.

Subiu, revirou a pilha dos livros disponíveis, nada. Desceu, talvez alguém tivesse devolvido há pouco tempo.

- Senhora, viu Dois Irmãos aqui embaixo?
- Ai, meu Deus! Eram seus filhos? Vi, sim, senhor. Uma mulher loira levou. Um deles até chorou, não queria ir, mas eu pensei que era manha de criança, criança chora por qualquer coisa, não é mesmo?. Será que foi seqüestro? Ai, meu Santo Expedito, valei-me! Aqui tá parecendo o Rio de Janeiro. Mas eu não tive nada a ver com isso, juro pro senhor, eu sou apenas a faxineira!
- Senhora, eu procuro um “livro” chamado Dois Irmãos!
- Ah, que susto, moço! Pergunta praquela mulher de óculos.

Lá foi o bom pai, com a melhor das intenções.

- Por favor, alguém entregou Dois Irmãos nos últimos minutos?
- Eu não vi. Mas fala com a Júlia, aquela moça lá, ela é que coordena as atividades infantis.
- Não, não! Dois Irmãos, o livro do vestibular...
- Ah, explica melhor, senhor! Não, mas tem um que tá pra chegar. Dá uma ligada amanhã. Não, melhor vir aqui pessoalmente.

Desistiu. Foi comprar o tal do livro, escrito por um tal de Milton Hatoum. Paciência, Presidente!, um livro não mata ninguém, não é mesmo?, e a Neuzinha precisa passar no vestibular. Depois ele também iria ler, disseram que é uma história muito boa. Na livraria teve que “rir” por causa de uma piadinha da vendedora, uma conhecida sua.

- Dois Irmãos acabou. Pode ser Dois Filhos de Francisco?





Postado por Jaime Ambrósio às 14:59 | Marcadores: Santo Expedito   Faxineira   Confusão  

Quinta-feira, 08.11.2012 Adilson Batista - Decandente? Não. Injustiçado e azarado? Sim

Olá, queridos leitores! Adilson Batista vem aí. O Figueirense já confirmou o nome do ex-Capitão América para comandar o clube na próxima temporada.


Para alguns analistas, Batista está numa fase decadente. Não penso dessa forma. Adilson foi, na verdade, vítima de uma cultura incrustada no futebol brasileiro. Aquela que apregoa o péssimo hábito de degolar a cabeça de um treinador quando o time enfrenta uma seqüência de 3 resultados não satisfatórios. Ou pior: basta um fracasso numa decisão.


Em ambos os atos joga-se na privada todo planejamento de um bom profissional elaborado para uma temporada que o mesmo vislumbrava ser longeva. Na verdade essas demissões não passam de uma manobra covarde de alguns cartolas para tirar do foco dos torcedores (menos atentos) os principais culpados pelo insucesso de um clube. Ou não são eles, os cartolas, donos das canetas para assinar polpudos cheques e contratos de treinadores raramente cumpridos até a data estipulada?


Voltemos ao nosso objeto de estudo: Adilson Batista. Dentre os últimos 6 clubes dirigidos pelo novo técnico alvinegro, em apenas 1 deles o rendimento em campo não condizia com o esperado por qualquer torcida. Nos outros 5 times Batista foi injustiçado.


CRUZEIRO: Na Raposa Mineira foram 168 jogos entre 2008-2010 e um excepcional aproveitamento de 64,4%! A relação de amor e ódio com os Cruzeirenses e uma derrota na final da Libertadores foram os fatores determinantes para a demissão. Ora, técnico não entra em campo para fazer gol. Adilson, que conquistou dois campeonatos mineiros, fez o possível e o impossível nos jogos finais contra o Estudiantes de um Verón inspiradíssimo. O time argentino venceu a decisão em pleno Mineirão por 2 a 1 e AB deixou Belo Horizonte. Resumo da Ópera: cartola fez média com a torcida.


CORINTHIANS: Em 2010, no Timão, foram 75 dias de trabalho, 17 jogos e um bom aproveitamento de 49% (7 vitórias, 4 empates e 6 derrotas). Adilson chegou ao Parque São Jorge para substituir Mano Menezes que acabara de assumir a Seleção Brasileira. Uma tarefa por si só muito complicada. Não bastasse isso, AB pegou a equipe na liderança da competição. Após uma sequência de 5 jogos sem vitória, ele viu a queda do clube para a 3ª colocação e resolveu entregar o cargo. A época deu a seguinte declaração: “Entendo a situação e, conversando com o Mário, disse que queria o bem da instituição. Questionaram se eu estaria com medo ou se seria um ato de covardia. A minha carreira é vitoriosa desde o Mogi Mirim”. Resumo da Ópera: cartolas e torcedores queriam um novo Mano Menezes.


SANTOS: Em 2011 Adilson teve a missão de comandar e montar boa parte do elenco santista que terminaria a temporada campeão da Libertadores. Foram só 11 jogos e um aproveitamento 60,6% (5 vitórias, 5 empates e, pasmem, 1 derrota para o rival Corinthians). A relação entre “Peixonautas Praianos” e AB nunca foi amistosa. Um tropeço (empate com Deportivo Táchira, 0 a 0, na Venezuela) na estreia do Santos na Libertadores foi a gota d’água para o torcedor alvinegro. Resumo da Ópera: cartolas cederam a pressão da torcida e resolveram fazer aquela tradicional “média com leite”. Adilson foi demitido após um empate de 1 a 1 contra o São Bernardo na Vila Belmiro.


ATLÉTICO-PR: No Rubro-Negro paranaense foram 14 jogos, no ano em que Furacão da Baixada teve nada mais, nada menos, do que 6 técnicos diferentes (Sérgio Soares, Leandro Niehues, Geninho, Adílson Batista, Renato Gaúcho e Antônio Lopes). Resumo da Ópera: AB errou ao entrar numa “barca furada”, sim. Porém, nenhum dos outros 5 profissionais citados conseguiu fazer algo diferente.

SÃO PAULO: No Tricolor paulista AB chegou ainda em 2011, logo após sair do Atlético-PR. Foram 22 jogos e um aproveitamento mediano de 45,4% (7 vitórias, 9 empates e 6 derrotas). Nos bastidores falava-se que Adilson não tinha a “benção” da Santíssima Trindade São-Paulina formada pelo poderoso trio Rogério Ceni, Juvenal Juvêncio e Milton Cruz. Juvenal até que gostava dele, Milton e Rogério olhavam de nariz torcido para as formações sempre mirabolantes de Batista. Junta-se a isso o fato de os tricolores enxergarem AB mais ou menos assim: “Não deu certo no Timão e no Peixe não vai dar certo aqui também”. Resumo da Ópera: estranhamente o clube “morumbiano” conseguiu encaixar 6 jogos sem vitória, após Adilson fazer alguns testes com Cícero na zaga. Agora aqui... convenhamos, né?! Cícero defensor? Ow God!

ATLÉTICO-GO: Nesse ano no Dragão goiano Adilson comandou a equipe em 10 jogos e teve um aproveitamento de 63,3% (5 vitórias, 4 empates e 1 derrota)! Mais uma vez a sequência de empates foi fator preponderante para demiti-lo. Foram 4 empates seguidos. Além disso, a torcida marcou Adilson após o Atlético deixar escapar o tão sonhado tri-campeonato estadual para o rival Goiás. Ah! Sabe quem assumiu o Dragão depois de AB? Hélio dos Anjos. Bem feito para a cartolagem atleticana e coitada da torcida. Resumo da Ópera: cartolagem jogou no lixo planejamento de Adilson que havia acreditado no elenco montado por ele. Tanto que recusou uma proposta de retorno ao Cruzeiro.

FIGUEIRENSE: Desde a demissão do Atlético-GO Adilson ficou em Curitiba esfriando a cabeça para retornar aos gramados. Durante esse Brasileirão chegou a ser convidado para assumir o Figueirense quando houve a demissão de Argel Fucks. Não aceitou após ouvir os dirigentes do Furacão dizerem “NÃO” para contratar, pelo menos, 6 jogadores (pedido de AB) que na visão de Batista seriam necessários para melhorar o desempenho da equipe e evitar o então já vistoso rebaixamento. Resumo da Ópera: Adilson Batista tem sinal verde da cartolagem do Figueira para montar o elenco que bem entender e sem a intromissão de empresários. Aliás, AB é avesso a essas tais parcerias “barriga de aluguel”. Se Batista não encontrar no meio do caminho um cartola ávido pela política “média com leite”, tiver a garantia de poder cumprir o contrato por inteiro, não “Pardalizar” esquemas de jogo e, logicamente, ter um pouco de sorte, ele tem tudo para arrebentar em 2013.

Ah! Para fechar. Enxergo que em todos os outros times Adilson Batista foi vítima de cartolas, funcionários e jogadores com influência sobre mentes menos esclarecidas. A carreira dele decaiu por desencontros e desgostos da vida. Num português mais simples: coincidências de tragédias. Algumas anunciadas, é verdade. Vide caso Atlético-PR.

Chega de azar, AB! Vai te benzer, professor!

HASTA LUEGO!

(Gustavo Bossle é jornalista - sim, formado - desde 1999. Apaixonado por esportes. Principalmente por basketball, futebol e ciclismo. Ah! Também prefiro Jogos Olímpicos a Copa do Mundo.)





Postado por Gustavo Bossle às 16:53 | Marcadores: Adilson Batista   Números   Estatísticas  

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