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Segunda-feira, 25.02.2013 Morto?

Noite complicada. Aliás, todo domingo beirando à segunda era um dilema para o sujeito. Talvez fosse aquilo que falaram, a “Síndrome do Fantástico”, uma ânsia no estômago por causa do início da semana, trabalho, trabalho, problemas. Acordava várias vezes, mudava de posição, levantava para tomar água ou leite gelado, e sonhava sempre o mesmo sonho, algo esquisito, indecifrável. Mas desta vez a coisa piorou, teve o maior pesadelo da vida: sonhou que estava morto. É ruim!

Tomou um banho e se arrumou, um tanto zonzo. Ainda estava de ressaca por causa da festa de sábado, quando bebeu todas (as do Zeca Pagodinho e as outras), única coisa, aliás, da qual se lembrava de fato. Abriu a porta, puxou o jornal pra dentro, comeu as manchetes e começou a folheá-lo de trás para frente. Diferente dos outros dias acabou dando uma olhadinha na seção “obituário”, assim, despretensiosamente. Um sobressalto. Espanto. Lá estava o nome dele, Diomar Coelho Dutra, em letras mortuárias. Nem quis ler o texto com os detalhes. Aquilo não estava acontecendo, só podia ser uma projeção do sonho, uma visagem gráfica ou qualquer coisa parecida.

No serviço a indiferença. Ninguém olhava para ele (pelo menos foi o que percebeu), ninguém o cumprimentava. O que estaria acontecendo? Então o seu corpo foi tomado por um grande arrepio: lembrou daquele filme com o Bruce Willis. Não, não fazia “sentido” nenhum, nem o quinto nem o “sexto sentido”.

- Eu não estou morto!!! Não adianta insistir!

O Chefe o chamou. Ufa! Pelo menos um. Mas será que ele e ele, os dois, não estavam além, aquém da vida? Araquém (era o nome, não apenas uma rima) tentou acalmá-lo, pediu para Diomar sentar. O que está se passando, meu chapa? O chapa explicou a história da suposta morte. Falou do sonho e mostrou o jornal. Araquém riu e devolveu o diário. Estava lá, Dagomar “Cordeiro” Dutra, empresária, etc. Não era o mesmo bicho, nem o mesmo sexo. Ainda iria processar o pai e a mãe por causa desse nome esdrúxulo. E aquele comportamento do pessoal?, de desprezo, indiferença, tolhimento? O Chefe explicou que devia ser por causa das atitudes dele na festa de confraternização da empresa.

- Você foi simplesmente um chato insuportável. Ficou bêbado e não deixou ninguém em paz, além de ter dado em cima de quem não devia, a filha do dono, a sogra do filho do dono, a chefe da cozinha...

- Isso tudo?

Sorte ser ele filho de um dos diretores, senão era rua na certa. Araquém o mandou para a sala da psicóloga (empresa moderna). Mafalda devia ser prima do Analista de Bagé.

- Então, qual é o estresse?

- Agora tô melhor. Mas vivi algumas horas de dúvida existencial, não tinha muita certeza se tava vivo ou morto.

- Opa! E já sabe?

- Claro, tô aqui conversando com você.

- E o que garante que aqui não é o purgatório?

- Não brinca, Mafalda!

- Brinco, tô brincando. Mas não gostei de você ter se recusado a dançar comigo na festa. Por acaso eu não tenho certos “atributos”?

- Não, quer dizer, tem.

- Hummm!... Bom, você precisa antecipar as suas férias e de preferência voltar vivo, que é melhor para a saúde.

Antes de sair Diomar a abraçou com força, pois precisava ter certeza de que aquela mulher era de carne e osso e não uma alma sem pena a serviço do Outro patrão. Mafalda aproveitou o momento e lhe deu o número do celular. Podia ligar a qualquer hora.





Postado por Jaime Ambrósio às 20:34 | Marcadores: Cordeiro   Rima   Zonzo  

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