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Sábado, 25.05.2013 Ó-lhó-lhó, a Figueira encolheu!

E não era filme de lá, era tragédia daqui. A cidade amanheceu perplexa, sem querer acreditar naquele espetáculo. Tudo bem se fosse o Centro de Eventos, o Terminal Urbano Cidade de Florianópolis, a Assembléia Legislativa (em dia de sessão), mas a figueira centenária? Justo ela que não falava mal de ninguém, aliás, nem falava, só gemia nos galhos quando vinha o vento sul. Na verdade a grande árvore protegia (do sol) aqueles que, sentados nos bancos, reviraram a vida alheia. Mas era sua função aquela, dar sombra a quem procurasse sombra.

- Ó-lhó-lhó! Cadê?
- Ihhh, meu véio! Erramo de praça.
- Carácola!
- Como é que conseguiram roubar a árvore?

No entanto ela estava lá, era só olhar atentamente. Estava lá miudinha, encolhida no seu esplendor como um bonsai, um belo bonsai. Mas nesse caso a virtude da beleza estava justamente no tamanho, na grandeza do tronco e dos galhos retorcidos, abertos como braços fraternais, mesmo que amparados por escoras metálicas. Que graça, agora? Quem iria dar voltas naquela plantinha para pedir casamento? E onde ler o jornal? Se bem que agora o povo queria mesmo era saber o que havia acontecido com a figueira, ou seja, como é que ela se transformou numa figueirinha. Surgiram mil hipóteses, científicas, religiosas, dogmáticas e malucas. Poderia ter sido Deus, ou uma reação química, ou Bin Laden, ou um feitiço. Um bêbado contumaz, assíduo freqüentador da praça, disse que foram eles, os extraterrestres, os mesmos que haviam feito desaparecer as três pontes e depois as trouxeram de volta. Estão lembrados?

- Eu vi. Eu vejo tudo.

Enquanto isso algumas tentativas eram feitas para reverter a situação da pobre árvore. O padre a benzeu, o pai-de-santo a defumou, o biólogo a regou com estranha substância, o que também fez uma conhecida bruxa da Ilha. Mas tudo em vão, a figueira continuava assim, uma anã da flora local. Em compensação (e ao contrário do que se imaginava) surgia ali um novo impulso para o turismo de baixa temporada. Todos queriam ver de perto aquele milagre da natureza. Os visitantes chegavam em caravanas de várias partes do estado e do país, até do Uruguai e da Argentina. O comércio (formal, informal e ilegal) estava em polvorosa, o setor hoteleiro mais ainda. A prefeitura, por uma questão de segurança, mandou cercar toda a praça. Só podia entrar quem pagasse ingresso.

Por um tempo a pequenina espécime foi mais contemplada que a Ponte Hercílio Luz ou qualquer outro ponto turístico. Disseram até que algumas pessoas adoentadas conseguiram se curar através dela. A Igreja não se manifestou sobre o assunto.

Mas um dia, que na verdade era noite, tudo voltou ao normal como num passe de mágica ou de macumba. Para alegria de uns e tristeza de outros a velha figueira estava novamente lá, robusta e majestosa. O fato aconteceu no exato momento em que as águas da Lagoa da Conceição, outro cartão postal, tornaram-se escuras como breu, ou outra coisa.

- Quem foi o istepô?

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Postado por Jaime Ambrósio às 20:16 | Marcadores: Ó-lhó-lhó   Istepô   Contumaz  

Domingo, 05.05.2013 Amor e futebol

Juliana ama Nano, que ama Juliana, que era avaiana, assim, como uma rima teimosa. Agora Juliana torce pelo Figueira, igualzinho ao Nano. É que antes estava complicada a relação dos dois, a ponto de o amor querer desmoronar, gol após gol. Quando a TV passava algum jogo do Furacão, Nano não dava bola nenhuma pra Juliana, porque a bola corria era lá no gramado, redonda, incerta. Juliana ficava secando, secando, enquanto fingia fazer as vinte unhas. Por outro lado, quando a telinha mostrava alguma partida do Leão (que urra, urra, urra...) Juliana não ligava, obviamente, para as investidas dele (do Nano, claro), que ficava secando, secando, enquanto fingia ser o Rodrigo Santoro do Estreitcho.

E os jogos na capital? Nano no Scarpelli, livre e solto como os quero-queros lá no gramado; Juliana de ressaca na Ressacada, à mercê dos aviões que voam mais ao alto. E os clássicos? Cada um no seu canto, no seu quadrado, cantando versos de amor ao próximo:

- “Aí, aí, aí...”

- “Eira, eira, eira!...”

Por tudo isso Juliana, numa decisão extremamente difícil e dolorosa, arbitrada pelo coração (e auxiliada pelo cérebro), virou a casaca, trocou as cores , o hino, os percursos, etc. Antes isso do que a dor da separação, avaliou ela. Duda, grande amigo de Nano, e Figueirense roxo de tanto alvinegro, não deixou por menos:

- Viu?, o amor nem sempre é cego, às vezes enxerga muito bem.

Mas tem casos em que a torcedora prefere perder o namorado a trocar de time. Tem torcedor idem. E tem os que acreditam que a prevenção ainda é o melhor remédio. Por exemplo, o Carlinhos conheceu uma certa garota e tal. Dançaram, beijaram-se, ficaram-se. Pouco sabiam um do outro, o que importava era a atração que estavam sentindo, certo? Até que o rapaz resolveu fazer uma pergunta, uma perguntinha apenas, aparentemente ingênua, despretensiosa:

- Ei, gata, qual é o teu time do coração? O da Ilha ou o do Estreito?

- Sou Avaí, claro!

Carlinhos levantou-se (estavam sentados) feito um tufão, um furacão enfurecido, um Catarina desenfreado. Saiu sem ao menos pagar a conta, que ficou por conta dela, que ficou por conta.

- Amor e futebol têm dessas adversidades. Nada como a rotina de seu Alberto e dona Carmem, que torcem pelo mesmo time há muito tempo e por isso não travam nenhuma discussão durante as partidas: seu Alberto gosta de ir ao estádio; dona Carmem prefere ouvir o jogo em casa, no rádio que ganhou de aniversário.





Postado por Jaime Ambrósio às 10:52 | Marcadores: Scarpelli   Estreitcho   Eira  

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