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Segunda-feira, 24.02.2014 Matou o tédio e foi pescar

Estava estranhamente mau-humorado nos últimos dias. Nem o BBB ajudava, nem o futebol na telinha. Então viu um adesivo no trânsito que parecia ter sido feito sob encomenda: “Tá estressado? Vai pescar!” É um sinal - pensou rapidamente. Os sinais podem redefinir a vida das pessoas na terra. Aonde foi que leu isso?... Mas a droga do congestionamento continuava na volta para casa, aquilo não tinha jeito. Pra que tanto carro no mundo, meu Deus? E quando dá uma chuvinha, então, ou um acidente? O famoso caos toma conta da cidade inteira, uma vergonha política, porque tudo é uma questão de política, tudo, o salário dos caras lá de Brasília, o nosso salário aqui, o maldito preço da gasolina, os buracos das ruas, os tiros por aí, a bandalheira. Calma! Respira fundo! E não adianta buzinar... Ainda bem que inventaram a sexta-feira, assim um funcionário público, à beira de um ataque de nervos, tem o sábado e o domingo livres.

Sábado. Danilo sozinho no trapiche. Por necessidade de isolamento não quis levar o cunhado de sempre, o João Carlos, que, aliás, não podia ficar sabendo daquela pescaria solitária. Aliás de novo, o problema era justamente a irmã do João Carlos, ou seja, a mulher de Danilo. Lourdes colocou na cabeça que ele, o marido, já não era mais o mesmo, que naquele mato tinha cachorro, ou lebre, mas que tinha alguma coisa, tinha. Como assim? Assim, esse teu jeito esquisito, de pouca conversa, sexo vapt-vupt. Ora, isso é minhoquice, rebateu Danilo, que acabava de trazer para o léxico familiar uma nova expressão. Minhoquice? É, significa ter minhoca na cabeça, ver coisas onde elas não existem.

Minhoca, diga-se de passagem, que ele deveria estar usando no anzol, porque a isca de camarão que trouxera não servia pra nada. Pior é que ele também chegara àquela conclusão, de que estava diferente. Mas por quê? O salário não aumentou, nem diminuiu; não estava apaixonado pela mulher do próximo, a pressão estava controlada. Então de onde vinha aquela falta de graça nas coisas?, aquela indiferença crônica?

O mar não dava nenhuma resposta e nem estava para peixe, mas as gaivotas faziam a parte delas, em renovados voos rasantes. Bonito, era bonito aquilo. Ainda mais com aquele sol crepuscular derramando-se nas águas, uma pintura para se colocar na parede da sala. Danilo pareceu sentir-se melhor naquele momento, então recolheu a linha, ajeitou o caniço e sentou-se na extremidade do trapiche. Ficou alguns minutos assim, desligado, apenas observando o horizonte lá longe...

O trânsito fluía sem atropelos e no carro da frente um outro adesivo pedia para Danilo sorrir. Sinais, os sinais.

Em casa deu um beijo demorado na mulher, que quase não o reconheceu. O telefone tocou e era o João Carlos, dizendo que amanhã bem cedo iriam pescar no costão. Pra não esquecer de levar bebida e amendoim torrado. Pensando bem, há quanto tempo não tomava umas cervejinhas? Bom também levar o radinho de pilha...





Postado por Jaime Ambrósio às 17:20 | Marcadores: Minhoquice   Trapiche   Telinha  

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