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Terça-feira, 24.03.2015 O sabe-tudo

Ele pode estar num grupo de amigos, no trabalho, na academia ou na própria família, esta árvore híbrida carregada de penetras. Não gosta de escutar, porque é de sua essência falar, falar muito, como se os seus interlocutores tivessem, de fato, dois pinicos no lugar dos ouvidos. Muitas vezes ele nem deixa você completar uma frase:


- O governo Dilma...
- O problema é que as águias famintas lá do Congresso estão se aproveitando da situação. Eu acho o seguinte...

O sabe-tudo tem a capacidade de discorrer sobre os mais variados assuntos num fôlego só, como se soubesse tudo com muita propriedade. Fala de terrorismo e de cerveja; de futebol e criação de avestruz; de carros modernos e efeito-estufa; de economia, política e atrizes da Globo. Mas na verdade é pouco dado à leituras aprofundadas, sustentando-se, no mais das vezes, em opiniões elaboradas à partir de idéias de terceiros, ou de textos rápidos da Internet. Quem lhe dá trela é porque ainda não o conhece direito; quem o conhece procura despistá-lo, saindo de fininho.

Numa dessas, num encontro em comum, as vítimas de um sabe-tudo resolveram adotar uma estratégia de sobrevivência: o rodízio da paciência. Cada um ficava durante 10 minutos ouvindo as lorotas do língua-solta. Passado esse tempo outra pessoa assumia a ingrata função. Porque o sabe-tudo precisa de alguém dando-lhe corda o tempo todo.

Porém, tem um tipo de sabe-tudo ainda mais nocivo aos tímpanos dos seres comuns: o do contra. Qualquer afirmação, sobre qualquer tema, provoca nele uma imediata e sonora negação:

- Que interessante! As baleias francas vêm ao litoral do estado pra amamentar os filhotes...
- Mentira. Elas vêm pra cá porque fogem dos caçadores....


Aí temos duas coisas: ou você concorda com a versão do sujeito, apenas para se livrar dele, ou encara uma longa e tenebrosa discussão. Pois um índio velho, gremista de nascença, decidiu enfrentar o sabe-tudo do contra, que era, por sua vez, colorado desde outras encarnações. Mas o assunto nem era futebol e sim, e novamente, a famigerada política.

- A Dilma sabia.
- Não sabia...

No caso o churrasco em questão foi numa sexta-feira à noite. No sábado à tarde os dois ainda continuavam discutindo, enquanto roíam os ossos de um costelão.
 





Postado por Jaime Ambrósio às 16:04 | Marcadores: Terrorismo   Lorotas   Efeitoéstufa  

Quinta-feira, 05.03.2015 O abraço

 
O homem carrancudo lia um livro sentado num banco do parque, rodeado de silêncios, ruídos e árvores.Uma mulher se aproxima e o interrompe:
- Desculpe, mas queria lhe pedir um favor.
- Pois não?
- O senhor podia me abraçar? 
Dessas coisas que geram surpresa, um certo espanto...
- Posso..., sim.
E a abraça, e demora um tempo aquele gesto, como se nenhum dos dois quisesse se desenlaçar. 
- Obrigada, eu precisava disso.
Ele nada fala, sorri como se gargalhasse, abandona o livro e tenta seguir a mulher, que havia se embrenhado numa trilha, como uma bruma, algo que se desfaz... Não a encontra. Encontra a si...
Um abraço. 
Dessas coisas simples de que é feita a vida...





Postado por Jaime Ambrósio às 17:13 | Marcadores: Trilha   Abraço   Desenlaçar  

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